quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Pilar da Hipocrisia



20 NOVEMBRO 2012

O Pilar da Hipocrisia



Robert Fisk, no The Independent (*)
Terror, terror, terror, terror, terror. Lá vamos nós novamente. Israel vai “extirpar o terror palestino” – o que vem proclamando há 64 anos, sem sucesso – enquanto o Hamas, a mais recente das milícias mórbidas “palestinas”, anuncia que Israel “abriu os portões do inferno” ao assassinar seu líder militar, Ahmed AL-Jabari.
O Hezbollah anunciou várias vezes que Israel “abriu os portões do inferno” ao atacar o Líbano. Yasser Arafat, que era um superterrorista, depois um superestadista (após capitular sobre o gramado da Casa Branca) e mais tarde converteu-se novamente em superterrorista, quando percebeu que havia sido enganado, nos acordos de Camp David, em 1982, também falou muito sobre os “portões do inferno”.
E os jornalistas estão escrevendo como ursos amestrados, repetindo todos os clichês que temos usado nos últimos quarenta anos. O assassinato de Jabari, líder militar do Hamas, foi uma “ofensiva com alvo”, um “ataque aéreo cirúrgico” – como os “ataques aéreos cirúrgicos” israelenses que mataram quase 17 mil civis no Líbano, em 1982; os 1.200 libaneses, a maioria civis, em 2006; ou os 1.300 palestinos, a maioria civis, em Gaza em 2008-09; ou ainda a mulher grávida e o bebê que foram assassinados pelos “ataques aéreos cirúrgicos” em Gaza na semana passada – e os 11 civis mortos em uma só casa em Gaza, ontem. Ao menos o Hamas não atribui a seus foguetes “Godzilla” nada de cirúrgico. Seu objetivo é matar israelenses – quaisquer israelenses, homens, mulheres ou crianças.

Exatamente como os ataques de Israel em Gaza. Mas, não ouse dizer isso, ou será tachado de nazista anti-semita; quase tão diabólico, perverso, satânico e assassino como o movimento Hamas, com o qual – de novo, por favor, não fale sobre isso – Israel negociou alegremente nos anos 1980, momento em que encorajou esse “bando de monstros” a tomar o poder em Gaza e decapitar o superterrorista exilado, Arafat. A nova taxa de câmbio em Gaza para os mortos palestinos e israelenses chegou a 16 por 1. Vai subir, é claro. A taxa de câmbio em 2008-09 era de 100 por 1.
E estamos alimentando mitos, também. A última guerra em Gaza teve sucesso tão impressionante (“extirpando o terrorismo”, claro) que as supostas unidades “de elite” de Israel não foram capazes sequer de encontrar seu próprio soldado capturado, Gilad Shalit, ao final entregue, no ano passado, por Jabari em pessoa – o mesmo líder do Hamas agora assassinado.
Jabari seria o “líder oculto número 1” do Hamas, segundo a Associated Press. Mas como, ó céus, pode ser oculto, se sabemos sua data de nascimento, detalhes familiares, anos de cárcere em Israel, durante os quais trocou o Fatah pelo? Ao que parece, os anos na prisão israelense não converteram o sr. Jabari exatamente ao pacifismo, certo? Bem, não derramemos lágrimas; ele viveu pela espada e morreu pela espada, um destino que, claro, não aflige os aviadores de Israel enquanto matam civis em Gaza.
Washington apoia o “direito de defesa” de Israel. Por isso, afirma uma neutralidade espúria – como se as bombas de Israel sobre Gaza não tivessem vindo dos Estados Unidos, assim como os foguetes Fajr-5 vieram do Irã.
Enquanto isso, o lamentável secretário de Relações Externas de Londres, William Hague, acusa o Hamas de “principal responsável” pela guerra atual. Mas não há evidências de que isso seja verdade. De acordo com The Atlantic Monthly, o assassinato israelense de um palestino “mentalmente incapaz”, que se desviou para a fronteira, pode ter sido o começo dessa guerra. Outros suspeitam que o assassinato de um menino palestino possa ter sido uma provocação. Mas ele foi alvejado e morto pelos israelenses, quando um grupo armado palestino tentou cruzar a fronteira e foi confrontado por tanques israelenses. Nesse caso, homens armados palestinos – embora não do Hamas – poderiam ter dado o pontapé inicial ao conflito.
Mas não haverá nada que pare esse absurdo, essa guerra de lixo? Centenas de foguetes caem sobre Israel. É verdade. Milhares de hectares de terra são roubados dos árabes por Israel – para judeus e apenas para judeus – na Cisjordânia. Nem sequer sobrou terra suficiente para um Estado palestino.
Delete as últimas duas frases, por gentileza. Há apenas bons meninos e maus meninos nesse conflito odioso, no qual os israelenses reivindicam ser os bons meninos, para o aplauso dos países ocidentais (que, então, perguntam-se por que tantos muçulmanos não gostam muito dos ocidentais).
O problema, estranhamente, é que as ações israelenses na Cisjordânia e seu cerco a Gaza estão trazendo para perto exatamente o que Israel anuncia temer, a cada dia: que o país corre o risco de ser destruído.
Na batalha dos foguetes – não menos que Fajr-5 do Irã e drones do Hezbollah –, um novo caminho está sendo trilhado pelos dois lados, nessa guerra. Não se trata mais de tanques israelenses atravessando a fronteira do Líbano ou de Gaza. Trata-se de foguetes e drones de alta tecnologia e ataques computadorizados – ou “ciber-terrorismo”, claro, se cometido por muçulmanos. Os seres humanos destruídos pelo caminho serão ainda menos relevantes do que foram nos últimos três dias.
O despertar árabe segue agora seu próprio caminho: seus líderes terão de acompanhar o humor das suas populações. Nesta condição, suspeito, está o pobre e velho rei Abdullah, da Jorndânia. A hipocrisia dos EUA “pela paz”, ao lado de Israel, já não vale mais nada para os árabes. E se Benjamin Netanyahu acreditar que a chegada dos primeiros foguetes iranianos Fajr justifica o big bang israelense sobre o Irã, o que ocorrerá? O Irá reagirá ao ataque e talvez atinja também os norte-americanos. Trará consigo o Hezbollah. E o que fará Obama, se se vir se engolfado por outra guerra entre o Ocidente e os muçulmanos?
Bem, Israel pedirá o cessar-fogo, como acontece rotineiramente em guerras contra o Hezbollah. Pleiteará ainda, novamente, o apoio imortal do Ocidente em sua luta contra o mal, incluindo o Irã.
E por que não louvar o assassinato de Jabari? Por favor, esqueça que os israelenses negociaram, por meio do serviço secreto alemão, com Jabari em pessoa, há menos de um ano. Não se pode negociar com “terroristas”, certo? Israel denomina esse último banho de sangue de Operação Pilar de Defesa. Está mais para Pilar da Hiprocrisia.
(*) Tradução: Inês Castilho

A morte do politicamente correto


A morte do politicamente correto

Ele parou de usar drogas. Não queria financiar o crime 
organizado.

Depois ele deixou de comer cereais. Não queria 
financiar a indústria de transgênicos.

Deixar de tomar remédios foi uma decisão fácil. 
Financiar os testes com cobaias humanas na África? Jamais.

A coisa ficou incontrolável. Não andar de ônibus,
 para não financiar o aquecimento global. Não comer carne, para não financiar
 o desmatamento da Amazônia. Não jogar futebol, para não financiar a exploração
 do trabalho infantil.

Os amigos pararam de ligar para ele. Sujeito mais chato, querendo converter todo mundo. 
Foi ficando cada vez mais isolado. Melhor assim. Parou de tomar banho, para não 
financiar o esgotamento dos aquíferos.

Morreu dois dias depois de parar de beber água. Ninguém notou. Seu corpo entrou 
em decomposição, liberando gases do efeito estufa. Chamaram a polícia, que mediante 
pequena propina invadiu o apartamento.  Seu corpo ficou dois meses numa geladeira
 do IML, financiando a construção da Usina de Belo Monte.

Ele já ia ser enterrado em cova rasa. Mas um primo rico ficou sabendo e pagou o funeral.
Uma beleza. Um lindo caixão de madeiras nobres extraídas ilegalmente.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

VOCÊ NÃO PODE DEIXAR DE LER


[INDISPENSÁVEL!] 

ONU prova que a mídia é contra a democracia e a liberdade de expressão

 Surrupiei descaradamente d’ O Ornitorrinco
Este vídeo mostra o que se esconde por trás dos ataques sistemáticos da mídia brasileira contra a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner.
Para entender o jogo da mídia contra o que chamam de “kirchnerismo” é importante contextualizar a situação. Antes, vamos usar uma analogia metafórica.
Você mora numa grande cidade em que três padarias controlam a qualidade, a variedade e o preço dos pães que você consome. E uma antiquada lei diz que só os políticos podem liberar concessões para novas padarias. E a maioria dos políticos (responsáveis pela tal lei) são donos das padarias; ou amigos destes; ou representantes dos mesmos. Daí, um governante assume a responsabilidade para criar uma nova lei que visa quebrar o cartel, dificultar o monopólio e facilitar o surgimento de novas padarias. O que faz o sindicato dos donos das padarias? Começa a espalhar panfletos dizendo que o governante quer controlar a produção de pães na cidade e ameaça a sua liberdade de escolher o pão que você vai comer. Agora, imagine se, em vez de mandar imprimir panfletos, os donos das padarias fossem donos de todos os meios de comunicação (jornal, rádio, tv etc) disponíveis. E tente imaginar se, em vez de pãezinhos, os produtos em questão fossem as notícias que influenciam a vida todos na cidade. Uma vez exposta esta metáfora, vamos conhecer um pouco a história da imprensa na Argentina para entender o que isto tem a ver com o Brasil.
Na Argentina, a grande mídia privada era tradicionalmente “chapa-branca”, principalmente a partir de 1978 - quando o ditador Rafael Videla praticou de forma criminosa a expropriação da empresa Papel Prensa, que detinha o monopólio da produção de papel no pais. Videla cedeu a Papel Prensa para três grupos: Clarin, La Nacion e La Razion (Hoje com prevalência do Clarin e o La Nacion). A contrapartida para tal “caridade” era clara: os grupos teriam que ter um “objetivo comum”, ou seja, dar vazão ao “projeto” de um governo ditatorial, corrupto, violento e entreguista. Com tal golpe, os grupos empresariais passaram a controlar toda a imprensa escrita e adquiriu um poder extraordinário, cartelizando o setor e esmagando a concorrência. Inclusive, correm hoje na justiça da Argentina processos que cuidam de julgar graves acusações de crimes – seqüestros, assassinatos etc - cometidos por conta do golpe na Papel Prensa.
Ante o nebuloso passado, não é difícil entender o porquê de os grupos Clarin e La Nacion terem assumido, até o governo Duahlde (antecessor de Nestor Kirchner), uma postura “chapa-branca”. Pois qualquer governante que ousasse pôr a mão no vespeiro da sórdida história por trás dos poderosos barões da mídia, obviamente perderia a “simpatia” dos mesmos. Foi o que fez Nestor Kirchner. Sua sucessora, Cristina Kirchner, foi mais além: deu amplo apoio à reformulação das antiquadas leis das comunicações que davam suporte às injustiças; ao monopólio. É a chamada Ley de Médios – uma revolução na democratização das comunicações -, reverenciada pela maioria dos jornalistas argentinos e que o relator da ONU para a liberdade de expressão, Frank La Rue, definiu como “a mais avançada legislação em favor da liberdade de expressão da América Latina e um exemplo para o mundo”. Assim, é tremenda má-fé dizer que Cristina Kirchner estaria cerceando a liberdade de imprensa porque a grande mídia faz oposição ao governo dela. Porque se você raciocinar bem, para o “kirchnerismo” seria muito mais cômodo deixar tudo como está: a grande imprensa elogiando o governo de um lado e a histórica injustiça assombrando de outro lado, com a prevalência do jornalismo chapa-branca monopolizando as verbas publicitárias e sufocando a maioria representada pelos milhares de outros periódicos “não-alinhados” à oligarquia; as rádios não-comerciais etc.
No Brasil, após sistemáticas críticas dos organismos internacionais contra as capengas leis das telecomunicações (permitindo, por exemplo, o clientelismo na distribuição das concessões de rádios e tevês), em 1998 o governo de FHC resolveu fazer uma reformulação meia-boca na legislação. Mas cerca de 70% dos parlamentares que formularam e aprovaram tal legislação eram donos de rádios e tevês ou estavam a serviço destes, ou seja, criou-se uma lei que veio muito mais para restringir do que democratizar o setor. Em suma: criaram uma nova lei que ainda traz graves reflexos dos tempos da ditadura. A nova lei em estudo no Congresso Nacional visa acabar com as vergonhosas barreiras para a distribuição de concessões de rádios e TVs e coibir o monopólio nas comunicações. Mas o jogo é duríssimo. Para barrar tal lei, a chamada “grande mídia” brasileira bolou um fantasma chamado “ameaça contra liberdade de imprensa” na imagem da “ditatorial” presidenta da Argentina e quase todos os dias martela tal “ameaça” nos seus noticiosos.

Polaco Doido

Sem muita pretensão, um pouco de tudo

19 de Novembro - Dia da Bandeira


O Hino à Bandeira 

Por Marcelo Santos
Comentário ao post "19 de Novembro, o Dia da Bandeira"
Um dos hinos mais lindos que temos. De Olavo Bilac, música de Francisco Braga, na voz de Ivan Lins. Gravação no CD "20 Anos - Ao Vivo" - 1991. É emocionante.

domingo, 18 de novembro de 2012

DIRCEU X CHICO PICADINHO

Uma questão de Justiça . Palmas para os Justiceiros de nosso Supremo Tribunal.

Habeas corpus encerra ação penal movida contra o casal por lavagem de dinheiro

Roger Abdelmassih, o médico estuprador que fugiu do Brasil agradece ao Ministro Gilmar Mendes

6ago2011
Matéria sugerida por Fernando Augusto Rodrigues da Costa:
 
Graças a Gilmar Mendes e Márcio Thomaz Bastos, foge do país o médico condenado a 278 anos por violentar 37 mulheres
O médico Roger Abdelmassih, de 67 anos, já está no Líbano, segundo a Folha. E por lá deve ficar, porque tem origem libanesa e o Brasil não tem tratado de extradição com o Líbano. E isso poderia ter sido evitado, caso o ministro Gilmar Mendes não concedesse o habeas corpus que o tirou da cadeia.
O médico estava preso, aguardando recurso de sua defesa diante da sentença que o condenou a 278 anos de cadeia por violentar 37 mulheres (suas pacientes, o que agrava os crimes) entre 1995 e 2008. E aguardava preso porque a Polícia Federal informou que ele tentava renovar seu passaporte. A juíza Kenarik Boujikian Felippe determinou que ele fosse preso para evitar sua fuga do país.
Seu advogado recorreu. Disse que Roger Abdelmassih não pretendia fugir do país, só estaria renovando o passaporte…
Sem ao menos perguntar ao advogado por que um homem de 67 anos, condenado a 278 anos de cadeia, renovaria o passaporte (seria um novo Matusalém?), Gilmar Mendes mandou soltar o passarinho, que agora vai passear sua impunidade no exterior, até que a morte o separe da boa vida.
Por essas e outras, crimes contra as mulheres acontecem diariamente no país. Há o caso notório do jornalista Pimenta Neves, que matou fria e covardemente sua ex-namorada, a jornalista Sandra Gomide, e passeia sua impunidade, após ter destruído as vidas de Sandra e de sua família.
O que dirá Gilmar Mendes, sobre seu habeas corpus que possibilitou a fuga do criminoso?
Parabéns ao escritório de advocacia Marcio Thomas Bastos, que pediu o habeas corpus, que vive na sombra do cargo que ocupou no governo.
Esta é a “Justiça Brasileira”.

Sem Fronteiras

Marco Aurélio deveria submeter o pedido liminar de Arruda ao plenário do STF

ministro Marco Aurélio de Mello.
ministro Marco Aurélio de Mello.
Marco Aurélio Mello é o ministro que mais surpreende no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão das suas decisões.
Por exemplo, foi o ministro Marco Aurélio Mello que, canhestramente, deu uma liminar para soltar o então banqueiro Salvatore Cacciola.
Antes da sua liminar, todas as instâncias judiciárias tinham mantido a prisão cautelar de Cacciola decretada por um juiz federal de primeiro grau.
Com a equivocada decisão do ministro Marco Aurélio Mello, o banqueiro Caciolla, que obtinha ilegalmente informações privilegiadas do Banco Central e faturava bilhões com elas, fugiu do Brasil, como todos sabem: só foi preso e extraditado por acaso, quando passeava em Monte Carlo sem saber da existência de uma ordem internacional para sua captura.
Quando soltou Cacciola, o ministro Marco Aurélio Mello entendeu desnecessária a prisão, ou seja, para ele não havia risco de fuga de Cacciola. Pisou na bola. Pior, já disse que repetiria a decisão, ou melhor, que não se arrependeu. No popular, acha não ter errado.
Hoje, Marco Aurélio poderá decidir, liminarmente, sobre a soltura ou a manutenção da prisão preventiva do governador José Roberto Arruda.  Em outras palavras, ele pode manter ou cassar a decisão da cúpula do Superior Tribunal de Justiça, que, por competente, decidiu prender cautelarmente Arruda, para garantir as apurações e buscar a verdade real.
Seria prudente que Marco Aurélio deixasse a apreciação da liminar para o órgão plenário do STF, ou seja, para os 11 ministros. A rádio-corredor do STF já difunde ser ele  vaidoso demais para tomar tal cautela. A propósito, boa cautela, em respeito a uma decisão colegiada, não unânime ( dois votos foram pela não decretação da prisão), de ministros do Superior Tribunal de Justiça.
Vamos aguardar que o ministro Marco Aurélio não conceda a liminar ou deixe a sua apreciação cautelar para o plenário do STF.
Até o mais idiota dos moradores de Brasília sabe do que o governador Arruda é capaz. Ele conta com  antecedentes demonstradores até conseguir violar votações secretas do Senado. No caso, há provas contundentes de atuação de Arruda voltada, por interpostas pessoas, a impedir a apuração da verdade.
PANO RÁPIDO. O STF tem em Marco Aurélio Mello um ministro imprevisível. E isso não é bom para a sociedade civil, ou melhor, para os jurisdicionados da mais alta Corte.
Wálter Fanganiello Maierovitch
 Nada a expor,. Tudo estampado na cara do cretino.
Dantas recebeu dois habeas corpus do juiz Gilmar Mendes
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF
NEM NA DITADURA ISTO SERIA POSSÍVEL
 
Weber,Rosa  frase reveladora: "vou condenar Dirceu sem provas, mas a literatura jurídica me autoriza a fazer isso".
Meu Deus, não é verdade. Livrai-nos da justiça do Brasil.





quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O desagravo a Lewandowski


14/11/2012

Lewandowski: um desagravo ao Direito brasileiro


A expressão 'Ainda há juízes em Berlim' é frequentemente lembrada quando o Estado de Direito é acuado pela exceção que pretende impor a sua vontade à força ou, modernamente, ao arbítrio do rolo compressor midiático. 

A convicção embutida no enunciado remete ao desassombro de um camponês prussiano ainda no século XVIII . Coagido a derrubar seu moinho na vizinhança do palácio real, ele resistiu ao algoz porque confiava na isenção da Justiça que lhe deu coragem para não ceder. 

A captura da opinião pública pelo quase oligopólio midiático distorce a relação de forças na sociedade a ponto de fraudar o direito de não ceder ao imperativo conservador. 

O país patina há mais de quatro meses no vórtice dessa amarga experiência de usurpação do discernimento social e jurídico. 

Acionada por interesses cuja hegemonia tem sido desautorizada em sucessivos escrutínios democráticos, uma fantástica máquina de criminalização da esquerda, da política e das formas de representação popular foi posta em marcha no julgamento da Ação Penal 470. 

Talentos profissionais da dramaturgia, do jornalismo e do marketing político revestiram uma monumental peça acusatória com o maniqueísmo capaz de torná-la crível, lógica e digerível.

Só um ruído maculava a extraordinária sintonia do conjunto: a falta de provas nos autos. A lacuna seria calafetada diuturnamente pelas betoneiras da semi-informação, da ocultação e do preconceito intrínsecos ao monolitismo midiático.

O jurista alemão Claus Roxin desautorizou o uso bastardo de um conceito de sua lavra, apropriado de forma pedestre na sofreguidão condenatória montada a contrapelo dos autos e das circunstâncias.

Mas foi um magistrado no ofício corajoso de reafirmar a norma e, sobretudo, as impropriedades da impaciência na santa aliança com o arbítrio que personificou de fato a imagem do juiz de Berlim neste caso.

Ricardo Lewandowski recusou o moralismo obscurantista e afrontou o contubérnio entre egos togados e holofotes feitos para cegar.

Paciente, às vezes indignado, reafirmou o espaço do contraditório; sempre que pode, recolou o comboio desembestado na faina condenatória nos trilhos da razão argumentativa; falou sem o hermetismo dos boçais; convidou à reflexão , evocou o bom senso -- cobrou a presunção da inocência, sem a qual o Direito deixa o abrigo da ciência para ser arbítrio.

Em rota de colisão com o atropelo dos autos , não recuou quando a ligeireza indiciária dos robespierres das redações levantou a guilhotina contra a sua reputação.

Lewandowski honrou a toga da suprema corte ao não ceder à arte de satanizar antes de provar a existência do inferno - não raro encenado com as chamas produzidas no photoshp do oligopólio que se evoca inimputável.

A retidão do ministro relator orgulha e reafirma a soberania do judiciário brasileiro no terreno minado dos dias que correm. 

Mas sua voz não pode mais ser reportada à opinião pública exclusivamente pelo filtro de um aparato interessado em baratear o Direito a sua conveniência.

A voz dos seus pares em todo o Brasil não pode perdurar em silêncio, enquanto se procede à lapidação da toga heroica com as pedras de um falso consenso condenatório.

Carta Maior conclama seus leitores, os advogados e juristas brasileiros, ademais das organizações sociais e suas lideranças a endossarem o manifesto ecumênico de apoio a Ricardo Lewandowski iniciado e liderado pelo site Cidadania, e que deve ser entregue ao ministro, em mãos , em Brasília. 

Não se trata, fique claro, de um gesto protocolar. Tampouco expressa uma verticalidade partidária --não é apenas a Ação Penal 470 que está em jogo.

O desagravo a Lewandowski nos dias que correm representa, acima de tudo, uma reafirmação do sagrado compromisso do judiciário brasileiro com o Estado de Direito no país.

Abaixo, o manifesto de apoio ao ministro Ricardo Lewandowski

'O carioca Enrique Ricardo Lewandowski, de 64 anos, desde o primeiro momento do julgamento da ação penal 470 não se vergou a pressões, a intimidações, a insultos e à chacota.

Foi atacado, ridicularizado, achincalhado, difamado pela grande imprensa e até por grande parte dos seus pares no STF, sobretudo quando absolveu José Dirceu da condenação por corrupção ativa, e rejeitou a tese, jamais provada, de que o PT teria “comprado votos”.

Ao justificar seu voto absolvendo Dirceu, recorreu ao principal teórico da atualidade sobre a teoria jurídica usada para condenar o ex-ministro, o alemão Claus Roxin, que, segundo Lewandoski, divergiria da interpretação da maioria esmagadora do STF sobre o Domínio do Fato.

Em 11 de novembro de 2012, passadas as condenações com base nessa teoria, o jornal Folha de São Paulo publica entrevista do teórico alemão que repudia a interpretação que os pares de Lewandoski deram ao seu trabalho.

Os ministros Carlos Ayres Britto, Cezar Peluzzo, Carmem Lúcia, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Celso de Mello, portanto, trocaram o julgamento da história pelo julgamento da mídia e da opinião publicada.

Até José Antonio Dias Tóffoli, apesar de nadar contra a maré quanto a Dirceu, em algum momento se deixou intimidar. Lewandoski, não. Permaneceu e permanece firme, impávido, em defesa do Estado de Direito.

Não é fácil fazer o que fez esse portento de coragem e decência. O grupo social que esses ministros freqüentam é impiedoso, medíocre e, não raro, truculento. E se pauta exclusivamente pela mídia.

Os aplausos fáceis que Joaquim Barbosa auferiu com suas cada vez mais evidentes pretensões político-eleitorais jamais seduziram Lewandowski, que desprezou o ouro dos tolos e ficou ao lado da verdade.

Convido, pois, os leitores deste blog a escreverem suas homenagens ao ministro Lewandowski, as quais lhe serão enviadas, com vistas a se contrapor aos ataques rasteiros e covardes que ele vem sofrendo.

Para assinar acesse http://www.blogdacidadania.com.br/
 Adesões registradas em Carta Maior serão transferidas ao Cidadania.

Quando a China Dominar o Mundo”


Como a China vai moldar o novo século



Um artigo do economista inglês Martin Jacques, autor de um aclamado livro sobre a China
Os chineses estão satisfeitos com seu governo
O texto abaixo, publicado no site da BBC e reproduzido a pedido pelo Diário, foi escrito pelo economista e acadêmico inglês Martin Jacques, 67 anos, articulista de jornais como o Guardian e o Times. Jacques é autor do aclamado livro “Quando a China Dominar o Mundo”, lançado em 2009. 
Estamos testemunhando uma extraordinária justaposição de eventos. Numa só semana, os americanos foram às urnas para reeleger Barack Obama enquanto, na China, o décimo-oitavo congresso do Partido Comunista Chinês selecionava o próximo presidente e o primeiro ministro da China.
O contraste não poderia ser maior.
Dezenas de milhões de americanos votaram. Na China, o processo de seleção se dá em portas fechadas e envolve apenas uma quantidade moderada de pessoas.
Você provavelmente está pensando, “Ah, nos Estados Unidos isso é melhor, na China é pior – a falta de democracia. O calcanhar de Aquiles da China é seu governo. Isso será o motivo da queda do país.”
Pretendo defender a tese contrária.
Você deve pensar que a legitimidade e a autoridade do Estado, ou do governo, é irresistivelmente uma função democrática, ao estilo ocidental.
Mas ir às urnas é um fator. Isso não garante, em si, a legitimidade.
Pensemos na Itália. Há eleições, mas o problema contínuo do governo italiano é que o estado necessita de legitimidade. Metade da população não acredita nisso.
Agora, deixe-me chocá-lo: o estado chinês é mais legítimo do que qualquer estado ocidental. Como?
No caso da China, a legitimidade do Estado se dá inteiramente repousa em bases inteiramente distintas da experiência histórica nas sociedades ocidentais.
A China não é em primeiro lugar uma nação-estado, e sim uma civilização-estado. Para os chineses, o que importa é a civilização. Para os ocidentais, é a nação. O mais importante valor político na China é a integridade e a unidade da civilização com o estado.
Dado o tamanho e a diversidade do país, isso é bem problemático. Entre os anos 1840 e 1949, a China foi ocupada pelos países colonialistas, e terminou dividida e fragmentada. Os chineses se referem a esse tempo como seu Século da Humilhação.
Eles vêem o estado como a personificação e o guardião da civilização chinesa. E sua responsabilidade mais importante é manter a unidade do país. Um governo que falhe na função de assegurá-la não prosperaria.
Há vários exemplos na história. A legitimidade do estado chinês repousa, acima de qualquer outra coisa, em seu relacionamento com a civilização chinesa.
Mas o estado chinês, você pode perguntar, realmente é considerado legítimo aos olhos de seu povo?
Em uma série de pesquisas, Tony Saich, da Universidade Harvard, descobriu que entre 80% e 95% dos chineses estão relativamente ou extremamente satisfeitos com o governo.
Consideremos levantamentos do respeitado instituto Pew. Uma pesquisa feita em 2010 mostrou que 91% dos chineses que participaram da enquete achavam que a condução da economia pelo governo é bom. (No Reino Unido, esse número foi 45%).
Este alto nível de satisfação não significa que a China está livre de conflitos.
Ao contrário, há inúmeros exemplos de protestos, tais como a onda de greves na província de Guangdong por salários maiores em 2010 e 2011, e os 150.000 ou mais chamados incidentes de massa que ocorrem todos os anos. (Em geral, protestos de fazendeiros contra o que eles vêem como apreensão ilegal de suas terras por autoridades locais.)
Mas estas manifestações não implicam em qualquer descontentamento com o governo central.
Se o estado chinês goza de tal apoio, então por que expressa sinais de paranoia? O controle da imprensa e da internet, a prisão periódica de dissidentes e tudo o mais.
É um bom ponto. Na verdade, todos os govenos chineses exibiram esses mesmos sintomas. Por quê?
Porque o país é enorme e governá-lo é extremamente difícil. Os governantes estão sempre ansiosos, sempre temendo o inesperado. Antecipar fontes de instabilidade sempre foi considerado um atributo fundamental para um bom governo.
Não é supreendente que os chineses tenham uma atitude um pouco diferente diante do governo que os ocidentais.
Verdade, nossa atitude depende em parte de onde estamos no espectro político. Se você está na direita, é provável que acredite menos no governo do que no mercado. Se você está na esquerda, é provável que seja adepto de um estado forte.
Mas tanto a direita quanto a esquerda dividem algumas suposições básicas. O papel do estado deve ser codificado em lei, deve haver limites claros para seu poder e há várias áreas nas quais o estado não deve se envolver. Acreditamos que o estado é necessário – mas apenas até um certo ponto.

Jacques e seu livro aclamado
A ideia chinesa sobre o estado não poderia ser mais diferente.
Os chineses não o analisam de um ponto de vista estreitamente utilitarista, no sentido do que ele pode dar, e muito menos o consideram a personificação do demônio, como o Tea Party americano.
Eles vêem o estado como um amigo íntimo, ou, para ser mais preciso, como um membro da família – o patriarca da família, na verdade. Os chineses consideram a família o modelo para o estado. Mais ainda, eles vêem o estado não como uma força externa, mas como uma extensão ou uma representação de si mesmos.
O estado chinês goza de uma posição tão alta na sociedade que isso lhe confere uma autoridade enorme e uma ubiquidade notável.
Consideremos a economia. A ascensão econômica da China – um crescimento anual de mais ou menos 10% por mais de 30 anos – foi arquitetada pelo estado chinês.
É a mais notável transformação econômica que o mundo vê desde o início da Era Moderna, com a Revolução Industrial na Inglaterra no final do século XVIII.
Embora a China ainda seja um país em desenvolvimento, seu estado, eu diria, é o mais competente do mundo.
Tomemos a infraestrutura como exemplo – a importância da qual está sendo tardiamente reconhecida no Ocidente. Sua malha ferroviária de alta velocidade é a maior do mundo e em breve será maior do que a do restante do mundo combinado
Pense agora na ubiquidade do estado – a grande maioria das companhias mais competitivas da Chinas, até hoje, são estatais. Ou considere a política de ter um único filho, que goza ainda de grande apoio da população.
A competência do estado é raramente comentada ou valorizada no Ocidente, especialmente no mundo anglo-saxão. Desde os anos 80, o debate sobre o estado na Grã-Bretanha foi amplamente conduzido em termos do que deveria ser privatizado ou como as estatais poderiam fazer para imitar o mercado.
Agora, no entanto, estamos em um novo jogo. Com a economia ocidental em profundo desalinho e com a chocante ascensão chinesa, a competência do Estado não pode mais ser ignorada. Nosso modelo está em crise. O modelo deles lhes proporcionou resultados positivos.
Conforme a dramática ascensão da China continue – e certamente continuará – as forças chinesas se tornarão um assunto de interesse no Ocidente. Perceberemos, talvez, que nosso relacionamento com eles não deve consistir em lhes dizer que devem ser como nós. É necessário um pouco de humildade.
Uma das ilustrações mais dramáticas disso será o estado chinês. Pensamos nele como uma de suas maiores fraquezas, mas talvez venhamos a nos dar conta de que é uma de suas maiores forças.
Depois de um certo ponto seria impossível para um estado ocidental ser como o estado da China. É a consequência de uma história diferente e de um relacionamento diferente entre o estado e a sociedade. Você nunca poderia transplantar o estado deles para um país ocidental, e vice-e-versa. Mas isso não significa que não podemos aprender  com o estado chinês, assim como eles aprenderam bastante  com o nosso.
A ascensão da China terá um efeito profundo no debate ocidental.
Em mais ou menos seis anos, a economia chinesa irá ultrapassar a americana. Em 2030, será muito maior.
O mundo está sendo continuamente moldado pela China e, se teve as feições do ocidente pelos últimos dois séculos, no futuro se parecerá mais com o oriente.
Sejam bem vindos, então, ao novo paradigma chinês – aquele que combina um mercado extremamente competitivo e feroz com um Estado competente e ubíquo.
Para nós, no Ocidente, este é um fenômeno inteiramente novo. Um fenômeno que irá moldar nosso futuro.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Senhores do STF: onde estavam na ditadura?



novembro 13th, 2012 bymariafro
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Senhores do STF: onde estavam na ditadura?Emir Sader, em seu Blog
12/11/2012
O STF faz o Brasil se sentir constrangido pelo seu Judiciário, pela não observância da Lei Penal e da Jurisprudência consolidada da Corte, pelo exibicionismodos juízes que o compõem.
Um país em que ainda sobrevivem tantos vestígios da ditadura – o período mais brutal da sua história – deveria ter um STF cujos membros deveriam ter tido notável atuação na luta contra a ditadura, que tivesse tido a coragem de jogar sua vida na luta pela democracia
Nada disso acontece. Os brasileiros não tem conhecimento de onde estavam esses senhores quando os melhores brasileiros jogavam o melhor que tinham contra a ditadura e pela democracia.
Esses senhores acham que, se por acaso José Dirceu e Genoino quisessem fugir, teriam necessidade de passaporte? Esses senhores que envergonham o Brasil confirma que não tem ideia do que é a luta clandestina contra a ditadura. Certamente viviam suas vidas, enquanto outros se jogavam contra o arbítrio, contra o Estado de terror que prendia,torturava, assassinava a tantos brasileiros.
Podem ficar com os passaportes, senhores juízes do STF, o que nao podem tirar é a dignidade de quem lutou contra a ditadura enquanto os senhores gozavam das suas vidas nos seus trabalhos profissionais, no recôndito das suas famílias, do seu conforto familiar, guardando a dignidade que tivessem nos cofres bancários.
Podem tomar lições dos que lutaram contra a ditadura com a Presidenta Dilma, basta rever a resposta dela para o prócer da ditadura, Agripino Maia, no Congresso. Aí poderão aprender um pouco o que é dignidade, aprender como não é com passaportes que se defende a democracia, que se luta contra os que foram coniventes com a ditadura, por ação ou por omissão.
Fiquem com os passaportes. A dignidade dos que lutaram contra a ditadura, ninguém tira nem tirará jamais.

A VOZ DAS PROVAS




13/11/2012

O silêncio que ofende a consciência nacional


Janio de Freitas, o decano dos comentaristas políticos do país, de quem não se pode dizer que seja simpatizante do PT, nem mesmo remotamente lulista, carrega algo indisponível nas dobradiças gelatinosas que compõem a espinha intelectual e profissional da maioria dos colunistas do dispositivo midiático conservador: ética profissional. 

Sua coluna desta 3ª feira na 'Folha', 'A voz das provas', funciona como aquela sirene solitária que todavia não hesita em dar ao odor exalado das páginas ao seu redor o significado que tem na história. 

A Suprema Corte do país, a quem caberia em última instância a tarefa de resguardar a Constituição e o Direito condenou lideranças políticas da esquerda brasileira com base em descarga verborrágica desprovida do fundamento basilar de um sentença em regime democrático: a prova do delito. 

'A voz das provas', demonstra o artigo de Janio de Freitas, foi toscamente substituída e abafada "pelas imputações (do relator Joaquim Barbosa) compostas só de palavras". 

A ausência do imprescindível foi tolerada; mais que isso, aplaudida e incentivada. Para legitimar o interesse intrínseco à pauta, animadores do circo se esponjaram nas acrobacias do mesmo vale tudo que imputam aos réus agora condenados. 

A contradição nos seus próprios termos inclui até mesmo ignorar aquilo que se publica. 

Janio não deixa de anotar que foi somente às vésperas do desfecho ansiosamente cobiçado pelo conservadorismo que em manchete, note-se, " ao pé da página A 6 de domingo"-- referência do atilado colunista--, a mesma 'Folha' que nesta 3ª feira estampa editorial em 1ª página alinhado aos festejos comemorativos da sentença, entrevistou o jurista alemão Claus Roxin. 

Trata-se de um dos teóricos responsáveis pelo conceito do 'domínio do fato'. Teria sido com base nessa viga mestra que a Suprema Corte do país, impulsionada pelo jogral midiático, considerou-se dispensada de reunir provas para a condenação consumada na 2ª feira. 

Doutos rábulas de redações Brasil afora, e sabichões de menor porte, todavia loquazes na arte da guilhotina higienizadora da ganância petista pelo poder, teceram proficientes considerações sobre a pertinência do 'domínio do fato'. 

Tornou-se a 'Eureka!' do conservadorismo togado e das consciências sempre hesitantes no meio fio da história. Bastava recitar: "o superior hierárquico de um suposto ilícito paga pelo crime, mesmo sem provas diretas que o comprometam". E danem-se as minúcias. Entre elas a oportuna transfiguração da multinacional Visanet em anexo do Banco do Brasil; mas também a seletiva escolha de um único, entre quatro diretores de marketing --por acaso, um petista- para avalizar o elo com o PT no argumento do peculato doloso (leia neste blog 'A ocultação deliberada para condenar o PT). 

Assim se fabricou a distinção em relação à praxe eleitoral suprapartidária. Não se exima o caixa 2 da nódoa que amesquinha programas, aleija lideranças e frauda a urna. Mas não é disso que se trata. Não é a reforma politica; não é o fortalecimento da democracia participativa; não é isso o que persegue o coro em torno da Ação Penal 470. 

Ademais, caberia perguntar ao zelo dos cínicos: o que seria de respeitáveis representantes das 'classes dirigentes', e mesmo de alguns proprietários do oligopólio midiático, se fossemos levar a coisa a sério? Por exemplo, rebobinar a história pregressa do país --os crimes cometidos pela ditadura, digamos-- com base nesse esteio do 'dompinio do fato' alemão, assim proclamado com gula por bocas obsequiosas? Passemos.

O fato é que 24 horas antes de a Corte Suprema esterilizar suas responsabilidades no conveniente lança-chamas germânico, o criador do conceito, no pé da página A6 da Folha, como lembra Janio, abjurou o uso bastardo de sua criação.

"A posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato" --sublinhou Claus Roxin, entre vírgulas, na mencionada entrevista que há 15 dias aguardava publicação na gaveta do jornal. E reiterou em límpida advertência: "O mero 'ter que saber' não basta". 

Coloque-se essa cena entrecortada a muitas vezes boçal, enfadonha exibição de egos em desfile no STF. 

Contraponha-se a nitidez cuidadosa do jurista às frases hermeticamente recheadas de nada, transbordantes de gerúndios, para aderir ao atropelo das provas e sentenciar apesar e acima disso. Corte rápido para o gozo explícito dos interesses ecoados com menos pudor, e frequentemente sem nenhum pejo, no dispositivo midiático. 

Eis um documentário à procura de um autor. Ele deve ser feito. Será feito. 

Os doutos figurantes e os sabichões que plasmaram em conjunto um script habilidosamente dotado de cadência e timming eleitoral, que em nada fica a dever ao produto urdido por dramaturgos de novelas e profissionais do marketing político, merecem esse espaço documental. 

Terão nele o reconhecimento do labor patriótico embebido em seus textos, frases e feitos, iluminados para sempre no devido compartimento que merecem ocupar na história democrática brasileira. 

O efeito será pedagógico e solene. Mas terá também uma dimensão risível pela cota do grotesco.

Quem não se lembra do filme “Annie Hall” de Woody Allen? Há ali uma cena que sugere a prefiguração desse entrecho, digamos, lúdico. 

Numa fila de cinema, um douto sabichão da Universidade de Columbia pontifica sobre o filme --e os filmes em geral. Sentencia cataratas de sapiência hermética ancoradas no manuseio legitimador das teorias de Marshall McLuhan.Wood Allen e sua garota, vivida por Diane Keaton, ouvem enfadados o buzinaço do ilustre especialista.

Até que Woody resolve dar um basta e afronta a pompa pretensiosa com algo do tipo: 'Voce não entende nada do que está falando'. A eminente autoridade, então, dá a carteirada mortal, algo do tipo: "Sou professor de semiologia --da Colúmbia-- e com doutorado em McLuhan!”

Allen dá dois passos de lado e introduz o compridão McLuhan; ele mesmo em carne e osso. O canadense, autor de 'O Meio é a Mensagem' e do conceito de 'aldeia global' , faz uma ponta para desmontar o falastrão empolado com um sabão categórico: “Você não entendeu nada da minha teoria”. 

No filme, a intervenção de McLuhan reverteu o engodo feito de palavrório anestesiante. No Brasil, a desautorização explícita do criterioso Roxim foi desdenhada pela ignorância ou a má fé. E sua teoria usada para consagrar um silêncio que ofende a consciência nacional: a voz das provas.

Leia a seguir o texto de Janio de Freitas e assista ao trecho do filme '“Annie Hall" no link http://www.youtube.com/watch?v=OpIYz8tfGjY (sem legenda).

A voz das provas 
Janio de Freitas-Folha de SP-13-11

Foi uma das coincidências de tipo raro, por sua oportunidade milimétrica e preciosa. Várias peculiaridades do julgamento no STF, ontem, foram antecedidos pela manchete ao pé da pág. A6 da Folha de domingo, título de uma entrevista com o eminente jurista alemão Claus Roxin: "Participação no comando de esquema tem de ser provada". 

O subtítulo realçava tratar-se de "um dos responsáveis por teoria citada no julgamento do STF", o "domínio do fato". A expressão refere-se ao conhecimento de uma ocorrência, em princípio criminosa, por alguém com posição de realce nas circunstâncias do ocorrido. É um fator fundamental na condenação de José Dirceu, por ocupar o Gabinete Civil da na época do esquema Valério/PT. 

As jornalistas Cristina Grillo e Denise Menchen perguntaram ao jurista alemão se "o dever de conhecer os atos de um subordinado não implica corresponsabilidade". Claus Roxin: "A posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato. O mero ter que saber não basta". E citou, como exemplo, a condenação do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, na qual a teoria do "domínio do fato" foi aplicada com a exigência de provas (existentes) do seu comprometimento nos crimes. A teoria de Roxin foi adotada, entre outros, pelo Tribunal Penal Internacional. 

Tanto na exposição em que pediu a condenação de José Dirceu como agora no caótico arranjo de fixação das penas, o relator Joaquim Barbosa se expandiu em imputações compostas só de palavras, sem provas. E, em muitos casos, sem sequer a possibilidade de se serem encontradas. Tem sido o comportamento reiterado em relação à quase totalidade dos réus. 

Em um dos muitos exemplos que fundamentaram a definição de pena, foi José Dirceu quem "negociou com os bancos os empréstimos". Se assim foi, é preciso reconsiderar a peça de acusação e dispensar Marcos Valério de boa parte dos 40 anos a que está condenado. A alternativa é impossível: seria apresentar alguma comprovação de que os empréstimos bancários tiveram outro negociador --o que não existiu segundo a própria denúncia. 

Outro exemplo: a repetida acusação de que José Dirceu pôs "em risco o regime democrático". O regime não sofreu risco algum, em tempo algum desde que o então presidente José Sarney conseguiu neutralizar os saudosos infiltrados no Ministério da Defesa, no Gabinete Militar e no SNI do seu governo. A atribuição de tanto poder a José Dirceu seria até risível, pelo descontrole da deformação, não servisse para encaminhar os votos dos seguidores de Joaquim Barbosa. 

Mais um exemplo, só como atestado do método geral. Sobre Simone Vasconcelos foi onerada com a acusação de que "atuou intensamente", fórmula, aliás, repetida de réu em réu. Era uma funcionária da agência de Marcos Valério, por ele mandada levar pacotes com dinheiro a vários dos também processados. Não há prova de que soubesse o motivo real das entregas, mesmo admitindo desde a CPI, com seus depoimentos de sinceridade incomum no caso, suspeitar de motivo imoral. Passou de portadora eventual a membro de quadrilha e condenada nessa condição. 

Ignoro se alguém imaginou absolvições de acusados de mensalão. Não faltam otimistas, nem mal informados. Mas até entre os mais entusiastas de condenações crescem o reconhecimento crítico do descritério dominante, na decisão das condenações, e o mal-estar com o destempero do relator Joaquim Barbosa. Nada disso "tonifica" o Supremo, como disse ontem seu presidente Ayres Britto. Decepciona e deprecia-o --o que é péssimo para dentro e para fora do país.
Postado por Saul Leblon às 12:51

sábado, 10 de novembro de 2012

BASTA !!!

 

Basta! chega de juizes votando como se estivessem em palanque eleitoral. Chega de juizes emperucados se elogiando mutuamente como se estivessem nos salões de Luiz XVI. Chega de transmissão ao vivo e a cores para que comportamentos desabridos se extravasem, como a dar carne fresca e sangue a malta esfomeada, deixando-se afogar na empafia de seus poderes transitorios de uma sessão de julgamento e nas plumas de suas vaidades como num coliseu romano ou teatro de can can.
Chega de arranca rabos, pitos e esporros, proprios de uma sala de aula de curso maternal. Chega de demonstrações de erudição e de cultura decorada em apartes baseados em citações e proverbios trazidos a priori com o unico fito é de aparecer e serem julgados como os salvadores da patria da moralidade e de primus inter paris do poder constituido.
Chega de juizes pautados por articulistas de jornal e que fazem exatamente o que lhes é mandado fazer pelos gurus midiáticos de plantão, advogados de jornal ou jornalistas do direito.
Tudo por um colegio de julgadores sobrios que se atenha aos autos e que nos traga segurança, firmeza e isenção em suas decisões, como tinhamos antigamente.
E ao fim e ao cabo poucos se salvam.
Por eduardo oliveira
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