sábado, 7 de maio de 2011

A DEMOCRACIA ESTÁ SALVA.

Na paz do Senhor o guerreiro e seu troféu.
A charge de hoje do jornal israelense Yedioth Aharonoth, do cartunista Guy Morad

SEPULTAMENTO À MODA AMERICANA

sexta-feira, 6 de maio de 2011

S H O W D O C O X A

TIRO CERTEIRO

Câmera no capacete de soldado mostra ação  que teria matado Bin Laden e tiro certeiro de Obama





Verdadeiro? Falso? Que diferença faz? Quem acredita que tudo aconteceu como disse o presidente dos Estados Unidos? Mas, afinal, o que aconteceu? Qual a versão do dia?


O "dado concreto", como gostava de dizer Lula, é que uma pesquisa New York Times / CBS feita agora, logo após o anúncio do assassinato de Bin Laden, mostra que aprovação a Obama pulou para 57%, contra 46% no mês passado.

A verdade é que Osaba Bin Laden 'vivo' sustentou Bush no poder. 'Morto agora' pode reeleger Obama. Ironia das ironias para quem odiava os EUA.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Relendo a Bíblia.

blog do bourdoukan

Enquanto houver um explorado, um oprimido, não haverá paz

Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa.
Michael Moore


                    Fac-símile da Biblia de Gutemberg


Relendo a Bíblia

E foram muitos mais os que matou morrendo, do que os que matara antes quando vivo(Juízes 16,30).

Esse trecho da Bíblia conta como Sansão, o hebreu (o que veio de fora) matou mais de três mil filisteus dando cabo à própria vida. Ou seja, sacrificar-se juntamente com o inimigo não é algo original no Oriente Médio.

Há mais de dois mil e quinhentos anos que isso acontece, mas coube a Sansão o mérito da primazia.

Para os raros leitores da Bíblia (apesar de ser o livro mais vendido no Ocidente) explica-se que Sansão era um sujeito inquieto que gostava de uma briga. Em Juízes 16,15 está escrito: “E pegando na queixada de um jumento, que achou à mão, e que jazia ali, matou com ela mil homens”.

A bíblia não explica quanto tempo ele levou para matar mil homens na base da porrada e nem como isso foi possível. O que não tem a menor importância porque todo mundo acredita no Livro Sagrado mesmo sem nunca tê-lo lido.

Sansão gostava de freqüentar o que as más línguas de hoje denominam de prostíbulos.

Seu nome em aramaico (Shamshum) significa pessoa ágil e vivaz, mas, infelizmente para ele, não tão ágil e vivaz quanto a belíssima Dalila, por quem se apaixonou perdidamente a ponto de lhe revelar a origem de sua força.

Dalila, cujo nome pode ser traduzido como Guia ou Orientadora, aproveitou-se para vingar o massacre de seu povo. Afinal, num mundo onde ainda prevalece o olho por olho, dente por dente, há pouco espaço para o amor, para o perdão e para a solidariedade. O resto da história todo mundo conhece, graças ao cinema.

Após sacrificar a própria vida para matar seus inimigos, Sansão foi enterrado no túmulo de seu pai Manué, “depois de ter sido juiz de Israel vinte anos (19-31)”.

Mais de dois mil e quinhentos anos depois, o número de adeptos de seu exemplo (matar o inimigo com o próprio sacrifício) cresce vertiginosamente.

O que não deixa de ser lamentável.

Será isto o que nos reserva o mundo?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

PARA DESCONTRAIR.



O terrorista Osama Bin Laden já foi jovem como todos nós. Descubra quem é ele na foto


Resposta individual em "Comentários" aí em baixo

M A N I F E S T O

Leia e se concordar assine.

                     http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/

terça-feira, 3 de maio de 2011

Por que “mataram” Bin Laden?





A teia de mentiras com que os Estados Unidos cercaram a ação militar que teria matado Osama Bin Laden impede que se tenha uma única certeza sobre o caso. Não se pode confiar nem no anúncio de que teria sido morto ou na descrição das circunstâncias em que isso teria acontecido.

Bin Laden nem era mais o comandante da Al Qaeda. Estava doente, debilitado e acuado. O bunker em que se escondia, era precário. Apesar de a mídia ter deixado a impressão de que seria uma fortificação à altura do homem que desafiou os EUA por uma década, seu abrigo não lhe permitiu resistir quase nada à ofensiva americana, a qual, cada vez mais, vai parecendo que o assassinou a sangue frio.

Por que o mataram, então? Vivo, Bin Laden teria sido extremamente útil. Poderia fornecer informações preciosas sobre a Al Qaeda. Aliás, um estadista prenderia o terrorista e faria um acordo com ele. Não aceitaria? Duvido. A Al Qaeda, Bin Laden, os EUA, ninguém lucra com aquela loucura toda. Lula faria um acordo com essa turma com um pé nas costas.

O problema são os EUA. Querem sempre ficar por cima. E, além de truculentos, assassinos, covardes, mentem compulsivamente. A desinformação que difundem sobre a “morte” de Bin Laden começou com a divulgação de foto falsa de seu cadáver por autoridades paquistanesas. Em seguida, as pessoas começaram a acordar para todo o resto.

Por que os EUA matariam um arquivo vivo?

Como acreditar que não haveria técnicas para prendê-lo vivo num ataque surpresa?

Por que difundiram a história de que ele teria se escudado, primeiro, atrás DA própria mulher e, depois, DAS mulheres de seu harém, para, ao fim, dizerem que nada disso ocorreu?

Por que se livraram do corpo tão rápido?

Por que não divulgam imagens do corpo?

Os americanos dizem que sumiram com o corpo para impedir que um seu túmulo conhecido se tornasse um local de peregrinação que serviria de incentivo a que outros seguissem seus passos.

É piada, não? Jesus Cristo não tem túmulo. Ah, Bin Laden não é Jesus? Ora, para seguidores fanáticos é, sim. E fotos? Ah, eles dizem que não divulgam para não ferir a sensibilidade da Al Quaeda com imagens tão feias. Parece brincadeira… Querem que o mundo acredite em suas versões sem apresentar nenhuma prova.

Finalmente, depois de tanta mentira, agora dizem que a própria guarda de Bin Laden o assassinou para que não desse informações. Como no caso da ou das esposas, pode ser só mais outra invenção. Aliás, fica difícil achar que não é…

Mas o pior vem agora. Os jornais estampam hoje a ameaça insana que decorre da morte de Bin Laden. A notícia até já envelheceu. Na segunda-feira, eu mesmo escrevia no Twitter que me chegavam links de matérias em inglês e espanhol dando conta de ameaça que o Wikileaks divulgara anteriormente de que, se algo ocorresse com Bin Laden, haveria uma “reação nuclear”. Fui chamado até de “catastrofista” por uma seguidora.

Segundo a ameaça feita antes mesmo de Bin Laden ser (?) morto, a Al Qaeda teria escondido um artefato nuclear na Europa. A notícia foi amplamente repercutida pela agência France Press e por veículos como o jornal alemão Der Spiegel.

É incompreensível, esse “assassinato”. Além de não desarticular a Al Qaeda, pois o alvo tornara-se inócuo, levantou ameaça ao mundo de retaliação (nuclear?) pela organização, ameaça que os jornais todos estampam hoje na primeira página. Por que diabos, então, os EUA “mataram” Bin Laden?



.Morto Osama Bin Laden está. O presidente dos Estados Unidos não iria fazer um pronunciamento anunciando a morte do líder da Al Qaeda se não tivesse certeza absoluta disso.


Já imaginaram a desmoralização mundial caso o barbudão aparecesse nas TVs do mundo hoje ou amanhã citando Mark Twain “As notícias de minha morte são demasiado exageradas”?

Mas, quando morreu? Podem apresentar vídeos, fotos. Mas, quem vai acreditar nelas? Verdadeira a história estadunidense, Bin Laden tinha 54 anos ao morrer domingo passado. E não se tem imagem dele há mais de dez anos. Como reconhecê-lo, ainda mais baleado no rosto, como anunciado? Sem contar as dúvidas que seriam levantadas, já que Hollywood é a meca dos efeitos especiais.

Sobra o quê? Um vídeo de Bin Laden confirmando que era ele mesmo e que estava para ser morto em abril de 2011 por tropas dos EUA? Difícil (ou impossível), pelo lado do morto. improvável (com duplo sentido) pelos EUA.

DNA? É no que estão se pegando. Mas, como podem provar quando a amostra foi colhida para o exame? E quem garante que é de Bin Laden?

A alegação do governo dos EUA de que o corpo de Bin Laden teria sido "sepultado" no mar porque assim exige a religião muçulmana é em parte verdadeiro. A parte das 24 horas. Mas, lançar o corpo ao mar vai contra o islamismo, que determina que o corpo seja sepultado em terra, seguindo ritual.

Fato (ou dado concreto", como gostava de dizer Lula) é que ao lançar o corpo ao mar (se é que o fizeram e Obama não estava morto há mais de 10 anos, como se pode ler aqui e aqui) os Estados Unidos tornaram impossível dizer quando e como morreu Osama Bin Laden.

Mas os estadunidenses não querem nem saber. Desde a notícia estão nas ruas, comemorando. Não estão nem aí para a tal prova. Como já não estiveram antes para as tais armas químicas do Iraque ou as agressões constantes de Israel a Palestina. Para eles, provas são um detalhe, como o gol no futebol para o Parreira.

Ironia das ironias, o homem que odiava os Estados Unidos ajudou Bush a fazer o que quis no poder e agora deve garantir a reeleição de Obama.


Leia aqui:
http://blogdomello.blogspot.com/2011/05/osaba-bin-laden-morreu-em-dezembro-de.html




Leia aqui:





Leia aqui:




Leia aqui:

http://blogdomello.blogspot.com/2011/05/eua-financiaram-bin-laden-e-criacao-da.html

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Padrão Globo.

"Sr Dinheiro", do Fantástico, não paga a prestação há 18 anos do apartamento onde mora.

                               "Sr Dinheiro" no Fantástico, ensina famílias a pagar dívidas


Consultor de economia doméstica do “Fantástico”, da Rede Globo, Luís Carlos Ewald é réu na Justiça do Rio de Janeiro. Há 18 anos, ele não paga a prestação do apartamento onde mora, na Gávea. A Delfin Crédito Imobiliário conseguiu o leilão da unidade. Mas, “por má-fé e torpeza”, segundo consta na ação, Ewald permanece no imóvel. (Da IstoÉ)

sábado, 23 de abril de 2011

Vanzolini, 87 anos, sempre dando a volta por cima

FELIZ PÁSCOA A TODOS!




Hoje e amanhã, para meus amigos leitores paulistanos, uma dica imperdível. O genial e boa-praça Paulo Vanzolini – que nasceu em São Paulo, beliscou o Rio na infância e voltou pra paulicéia – comemora seus 87 anos, como sempre, dando a volta por cima , no Casa da Francisca.


Não sei por aí, mas aqui as músicas de Vanzolini – um doutor em Zoologia, titulado em Harvard, fundador da Fapesp – estão sempre rondando a cidade, onde houver um violão e bons amigos.

No Museu de Zoologia da Usp, Vanzolini organizou uma das maiores coleções de répteis do mundo. Mas na MPB, o cobra é ele! Escute só ele com o nosso querido e inesquecível Jamelão, e curta como cariocas e paulistas, ao menos da dor de cotovelo, são unha e carne.

                                                          Postado por Brizola Neto

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Intelectuais israelenses apoiam Estado palestino



Sob gritos de “traidora’, a atriz israelense Hanna Maron, que perdeu uma perna num ataque palestino, leu uma declaração de intelectuais israelenses que apoiam a criação de um Estado palestino.


O evento foi realizado [ontem]diante do Hall da Independência em Tel Aviv, onde foi proclamada a independência de Israel em 1948.

A declaração foi assinada por dezenas de intelectuais, acadêmicos e personalidades públicas israelenses, em apoio à criação de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967, que determinam a Faixa de Gaza como território palestino.

Os signatários, dentre os quais estão pelo menos 20 ganhadores do Prêmio Israel (o mais importante do país), afirmam que não se trata de um novo plano político, e sim de uma forma de apresentar à sociedade uma visão alternativa à postura do governo israelense

Via O Globo


Publicidade israelense


quarta-feira, 20 de abril de 2011


Uma agencia de publicidade israelense fazendo propaganda de um carro que atropelou duas crianças palestinas.

O texto em hebraico diz:vamos ver quem pode nos enfrentar.

O atropelador foi um colono judeu que sequer prestou socorro às vitimas.

Sinceramente, se os publicitários israelenses entendem que esse tipo de anuncio vende, o que esperar do restante da sociedade judaica?

É triste, muito triste...

Se voce acha que é apenas uma foto montada assista ao video abaixo:

















 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

BOM FERIADO.

Choro chorado para Paulinho Nogueira.

Um choro lindo para curtir no feriado. Boa Páscoa a todos.


Pinga Ni Mim

DoLaDoDeLá
Quem tem liberdade tem tudo.





A gente faz piada, ri das propagandas de cerveja, mas por trás de tanta gente bonita, feliz, cantando na praia, celebrando a vida, o amor e a felicidade existe o perigo da dependência ao álcool. E o grupo mais vulnerável é justamente aquele que mais precisa de bons exemplos: os jovens. O álcool é a droga que mais causa dano à nossa sociedade. Já excedi muitas vezes e me arrependo de algumas delas. Hoje não sou contra bebida alcólica, bebo com certa frequência, mas moderadamente. No entanto, moderação não é uma palavra do vocabulário dos adolescentes, sempre tão dispostos a superar barreras e limites. Na Alemanha, por exemplo, a moda entre as meninas é embeber absorventes ínternos em vodca e em seguida inserir em suas partes íntimas. O argumento é que a droga é assimilada mais rapidamente pela mucosa, sem impregnar o hálito. A mania teria começado nos EUA, entre jovens menores de idade, impossibilitados de comprar álcool, e ganhou o nome de "slimming". Mas uma nova febre já chegou ao Brasil. A maluquice de pingar vodca nos olhos, para supostamente aumentar a sensação de embriaguez. É o "vodka eyeballing", que desidrata o globo ocular, queima a córnea e pode até causar cegueira. Em Campinas um estudante universitário acaba de fazer um transplante de córnea, mas vai carregar sequelas pelo resto da vida. Ele teria sido influenciado por um cantor de rock, num vídeo do YouTube. Agora, que belo exemplo, quando um senador da República é flagrado embriagado e se recusa a fazer o teste do bafômetro, não é mesmo?


http://maureliomello.blogspot.com/

quarta-feira, 20 de abril de 2011

BOMBA, BOMBA, BOMBA...


http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/04/20/bomba-bomba-embriagado-ao-volante-lula-nao-faz-o-teste-do-bafometro/

Amor e Revolução tem que mostrar imprensa golpista




Antes de chegar ao ponto que o título deste texto anuncia, proponho ao leitor que examine artigo do único colunista da grande imprensa que me parece ter algum escrúpulo, Paulo Moreira Leite, da revista Época. O texto aborda a novela do SBT Amor e Revolução, trama que vem esquentando o clima político no Brasil.


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Amor e Revolução

Paulo Moreira Leite

19/04/2011

Fico feliz em constatar que a Censura sofreu uma derrota importante. Militares da reserva tentaram proibir a novela “Amor e Revolução”, do SBT, mas foram derrotados. Acho ótimo.

“Amor e Revolução” é uma novela com vários defeitos mas não se pode deixar de registar sua coragem. Não há notícia, na história da TV brasileira, de um retrato tão cru (e em certa medida cruel) da violência ocorrida nos porões do regime militar. O folhetim exibe cenas de tortura como nunca se viu, sem tratá-la como um evento incomum, mas como um dado banal da luta política no período.

É chocante, mas não deixa de ter seu mérito. O resgate de um fato verdadeiro é sempre um valor positivo — por mais que seja doloroso e inconveniente.

Outro aspecto é que a TV brasileira tem uma dívida histórica com a memória do país. As grandes redes de TV cresceram e se consolidaram durante o regime militar. Não é possível definir uma relação de causa e efeito entre o governo dos generais e a construção das redes nacionais — este processo era inevitável do ponto de vista do progresso das comunicações e iria ocorrer de qualquer maneira.

Mas ele assumiu formas peculiares em nosso país e isso se explica pelas relações promíscuas entre os canais de TV e o regime.

A Censura era uma força determinante no noticiário das emissoras, no foco da cobertura e na escolha dos assuntos. Vivia-se sob um regime de força e é assim que as coisas ocorrem numa ditadura. Mas não só. Havia também o interesse.

O regime militar favorecia e protegia seus amigos e punia quem resistisse. Um dos momentos máximos deste poder autoritário residia no momento de conceder as célebres concessões de rádio e TV. Ganhava-se uma concessão em troca de um currículo de boa vontade. Aliados do governo Goulart foram punidos e perseguidos até que tiveram de entregar os pontos.

O próprio SBT, que exibe Amor e Revolução, enquadra-se nessa categoria. Nos tempos da ditadura, chegou a criar um programa apenas para falar bem de João Figueiredo, um dos presidentes do regime militar. Considerando que desde 1988 o país tem uma nova Constituição, que proibe toda forma de censura, a iniciativa de fazer uma novela sobre um periodo tão marcante é até um pouco tardia.

Num momento em que o Planalto defende a aprovação da Comissão da Verdade, que pretende auxiliar na apuração dos crimes do regime militar, um folhetim desse tipo parece muito mais do que uma simples coincidência.

Mas não deixa de ser elogiavel.

A questão é a novela em si. Já ouvi gente dizendo que a intenção é boa. Eu acho muito fraca. O enredo não tem a envergadura de um processo histórico e trata os conflitos da época de forma simplória e reducionista. Os conflitos lembram filmes de bangue-bangue. Os diálogos são bisonhos e as disputas ideológicas, que envolvem pessoas que ajudaram a decidir o destino do país em determinado momento, são um campeonato de chavões — entre amadores.

Quem quiser entender por que o Brasil passou 20 anos sob um regime militar não irá aprender muita coisa — ou será obrigado a acreditar que tudo se resume a um conflito entre mocinhos e vilões.

Concordo que é fácil distinguir entre o certo e o errado quando se trata de comparar uma democracia com uma ditadura. Não é preciso entrar em discussões “complexas”. Mas tomar partido não basta, vamos combinar.

Os fatos da época estão lá mas não há contexto. Os personagens ficam deslocados, determinadas situações deixam de fazer sentido. Generais e estudantes de 64 fazem discursos como se estivessem em 1968. Um casal apaixonado cultiva flores no maior estilo hippie no mesmo sítio onde se preparam ações armadas.

Novelas são formas legítimas de entretenimento. Mas, quando pretendem falar de processos históricos, precisam ter uma noção mais clara de uma realidade em seu conjunto político, economico, cultural. Caso contrário, fica difícil acreditar naquilo que se vê no vídeo.

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Eis-me de regresso, leitor amigo, para comentar um texto, digamos, 70% honesto – o que não é marca desprezível, em se tratando da origem que tem.

Desde que estreou, no início do mês, que a novela do SBT Amor e Revolução vem sofrendo um processo que pretende desestimular o público de assisti-la. E quem empreende tal processo é a grande imprensa por razões que todos conhecem, ou seja, essa imprensa era aliada dos ditadores.

A argumentação contra a novela tem sido risível. Pode ser usada contra qualquer novela da Globo, aliás, mas só é usada contra a do SBT. Falam dos diálogos “ginasianos”, segundo um colunista da Folha de São Paulo, ou “bizonhos”, segundo o articulista da Época. A novela também conteria imprecisões históricas e seria maniqueísta, agora na visão do jornal e da revista.

Alguém, por acaso, já assistiu a um simples capítulo da novela “das oito” da Globo, por exemplo? Se verossimilhança da trama for o requisito, a novela Amor e Revolução encerra muito mais. Aquele mundinho das tramas globais tem sempre mais de 80% de brancos de aparência européia em um país em que mais da metade da população é descendente de negros. Os ricos todos, salvo o vilão de plantão, amam pobres e não são racistas, como quer Ali Kamel.

Se Paulo Moreira Leite, indiretamente empregado da Globo, quer ser realmente honesto – e ele parece que tentou ser o mais honesto dentro de suas circunstâncias de simples homem empregado em um império de comunicação –, tem que reconhecer que se formos tão exigentes com as novelas do seu patrão quanto estão sendo com a do SBT, nenhuma se salva.

O que mata essas novelas são os modelos transformados, de improviso, em atores. Essa garotada bonitinha, branquinha, loirinha, de olhinhos clarinhos e sobrenome europeu pode ser muito boa para tirar fotos, mas para dramaturgia, é um desastre. São inexpressivos, artificiais. Tudo o que sai de suas bocas, de suas expressões faciais e da linguagem corporal, soa falso.

Nesses quesitos, a novela do SBT tem tantos ou mais bons atores, que convencem, quanto as novelas da Globo.

Jaime Periard, o delegado Aranha, é assustador. Cada vez que aparece no vídeo, com sua perversidade infindável, faz o telespectador ficar tenso. O mesmo acontece com os perturbadores Filinto Guerra (Nico Puig), Fritz (Ernando Tiago) e general Lobo Guerra (Reinaldo Gonzaga). Os vilões são sempre os melhores.

Mas há, também, a convincente interpretação do eterno Claudio Cavalcanti, que interpreta o líder camponês Geraldo, uma espécie de João Pedro Stédile dos anos 1960. Em (bem) menor escala, pode-se, com alguma boa vontade, encontrar outras interpretações passáveis, ainda que sem brilho.

E todos esses colunistas da grande imprensa implicaram com um suposto “maniqueísmo” da trama da emissora de Senor Abravanel. Essa mania desses colunistas de ficarem repetindo todos as mesmas opiniões polêmicas é que responde pelos 30% do artigo de Paulo Moreira Leite que são a mais pura empulhação.

Maniqueísmo? Ora, vá se catar, Paulo! Que maniqueísmo? Você consegue fazer um filme sobre o regime de Hitler apontando defeitos nos que o combateram? A ferocidade, a demência, a vilania dele foi tão grande que qualquer menção a eventuais defeitos dos que o combateram se tornaria absolutamente irrelevante.

Imprecisões históricas? Que imprecisões? Os detratores da incômoda novela falam que não havia tortura nos primeiros anos do golpe. É piada. Quem quiser pode ler os relatos de leitores que viveram a ditadura colocados em todos os posts que escrevi sobre essa novela. Havia tortura de “comunistas” antes e depois do golpe, não só depois do AI-5.

A relevância e a coragem dessa novela, porém, foram muito bem admitidas pelo nosso estimado Paulo Moreira Leite – seu nível de honestidade intelectual, nas suas circunstâncias, chega a ser comovente.

Depois da tentativa de militares de pijama de censurarem a novela na Justiça, então, é que ela começa a ganhar a importância que tantos lhe negaram, inclusive na esquerda, quando este blog já dizia o que viria por ali. Hoje, por exemplo, vários jornais informam que, ao fim do capítulo, vai ao ar parte do longo depoimento gravado por José Dirceu. Vejam, abaixo, nota da Folha de São Paulo.
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Em novela, Dirceu relata maus-tratos sofridos no Dops

VERA MAGALHÃES

DE SÃO PAULO

Vai ao ar hoje, no encerramento do capítulo da novela “Amor e Revolução”, do SBT, o depoimento gravado pelo ex-ministro José Dirceu sobre sua prisão pela ditadura, em 1969, e o período em que viveu exilado em Cuba e clandestino no Brasil.

Já gravaram para a trama de Tiago Santiago nomes como Criméia Almeida, ex-guerrilheira do Araguaia, e Rose Nogueira, que dividiu a cela no Dops com a presidente Dilma Rousseff.

A participação de Dirceu é menos dramática. Ele faz uma distinção entre a época em que foi preso, quando a tortura ainda não era corrente, e o recrudescimento posterior. “Quando chegamos ao Dops houve uma sessão de pancadaria, de chutes.”

Ele narra que foram para o 4º RI, unidade do Exército em que Lamarca esteve preso, onde teria havido mais maus-tratos. “A comida era uma lavagem, a cela era pra ter pneumonia e tuberculose. Percebemos que aquilo já era prenúncio do que estaria pra começar de tortura e da ditadura”, diz Dirceu no vídeo, ao qual a Folha teve acesso.

Ele descreve as condições do congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), que levou à prisão de cerca de 800 participantes, em 1969, como “precárias”.

“Nós recebemos a informação de que o lugar estava cercado e decidimos não sair. Fomos todos presos”, conta Dirceu, que está inelegível após ser cassado pela Câmara, sob acusação de ter chefiado o mensalão. Ele é réu na ação penal do STF (Supremo Tribunal Federal).

Seu depoimento, de uma hora, deve ser usado em outros capítulos. A novela do SBT, que vai ao ar às 22h, estreou no último dia 5, com média de audiência de 7 pontos na Grande São Paulo.


—–Por sua importância, por todos os créditos que o colunista da própria imprensa golpista admitiu, Amor e Revolução precisa resolver sua única distorção histórica grave, a ocultação do papel da grande imprensa do Rio e de São Paulo que Paulo Moreira Leite admite só em alguma medida porque não trata claramente da conspiração de seus patrões com os militares e os americanos.

As benesses que o corajoso colunista da Época relata que a imprensa golpista recebeu da ditadura e a participação dessa imprensa naquela ditadura – que ele não relata –, tudo tem que ir para a telinha. Silvio Santos e o próprio autor da trama, Tiago Santiago, não podem conspurcar iniciativa tão boa com omissão tão escandalosa que nem o colunista do PIG ousou cometer por completo

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terça-feira, 19 de abril de 2011

FIDEL: PARA SEMPRE NA HISTÓRIA



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O álcool dispara? É o mercado, sem estatal pra segurar





O Globo de hoje traz chamada de primeira página afirmando que as usinas de cana-de-açúcar estão aumentando em 16% o preço do álcool em pleno início de safra, quando estes deveriam cair.


Quando se fala em usinas, nossa tendência é imaginar grandes usineiros, com seu chapelões e caras de “coronel”. Nada disso. Usineiros, hoje, são executivos, grande parte deles de grupos estrangeiros, embora do ponto de vista do poder que usufruem tenham algo de senhores de engenho.

Os 30 maiores grupos concentram quase 60% de toda a produção sucroalcooleira. E a presença estrangeira – sem considerar a gigante Cosan, associada à Shell – supera um quarto do total. A Petrobras tem, sim, participação, mas associada a grupos privados. Anos-luz distante do quase monopólio que exerce no petróleo.

E não pensem que as multis não querem posições estratégicas na produção de etanol no Brasil. Agora mesmo, a British Petroleum comprou de 83% da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool.

Como o preço do açúcar teve uma estúpida elevação no mercado internacional – quase duplicou, em um ano - as usinas aumentaram sua produção deste produto, em detrimento do álcool. Enquanto a produção de açúcar aumentou 16,86%, a de etanol subiu 7%, apenas.

Como a demanda, com a elevação da renda e o acréscimo de carros flex na frota nacional, sobe sem parar, os grandes grupos, claro, jogam com os preços o quanto podem.

É o que dá a total liberdade de mercado. Sem a “jurássica” Petrobras para segurar preços, paga-se o preço dos lucros de mercado.

Foi mais do que bem-vinda a decisão de Dilma Rousseff de colocar a produção de álcool sob a ficalização e controle da ANP. Mas precisa ser colocada em prática já.
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

FAÇA O QUE EU DIGO...





aiu no Globo: 

Aécio Neves tem carteira de habilitação apreendida em blitz da Lei Seca


                          Foto: Amigos do Presidente Lula

RIO – O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve a Carteira Nacional de Habilitação apreendida durante uma blitz da Lei Seca, realizada na madrugada deste domingo, no Leblon. O parlamentar foi parado por volta das 3h, na esquina das ruas Bartolomeu Mitre e General San Martin, e optou por não fazer o teste do bafômetro. Os fiscais da blitz constataram que a carteira de Aécio estava com a data de validade vencida. O documento foi apreendido, e o senador foi multado em R$ 957,70.


Aécio só foi liberado ao chamar um amigo para dirigir o seu carro, uma Land Rover.



sábado, 16 de abril de 2011

TREM BALA


Trem-bala

Já reparou? Os gênios que decretaram que o Brasil não pode ter trem-bala são os mesmos reclamões que enchem o saco com a lenga-lenga do caos aéreo.
O trem-bala vai desafogar dois aeroportos que não têm mais como crescer: Congonhas e Santos Dumont. Vai também aliviar Guarulhos, Galeão e Viracopos - três dos mais movimentados do país.

Os gênios ficam calculando quantas estações de metrô dava para contruir com a grana do trem-bala. Quantos quilômetros de trem urbano. Por aí. Podiam fazer outras contas. Quantos hospitais. Quantas escolas. Quantos museus do ciclo do café. Quantas cervejarias. Demagogia pouca é bobagem.

O caso é que o Brasil não pode ter trem-bala. Não pode ter Copa do Mundo, nem Olimpíada. Não pode ter classe média ascendente. Não pode ter fábrica de Ipads. Não pode exportar mais aço e menos ferro. Não pode dar pitaco na política internacional.
Bom mesmo era o Brasil de antigamente, um bucólico país rural. Os jecas-tatus sabiam direitinho qual era o seu lugar.

http://blogjoelbueno.blogspot.com/
                    

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Dia que Durou 21 Anos, na íntegra

O Dia que Durou 21 Anos” de Flávio e Camilo Tavares, com documentos e imagens inéditos da conspiração que derrubou o presidente João Goulart, com a participação do Governo dos EUA, comprovada através de documentos. São três episódios, de 26 minutos cada. Uma peça imperdível para quem quer conhecer nossa história. 

Assista na íntegra:

Primeira Parte



Segunda parte



Terceira parte

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FHC, drogado e prostituído






Os jovens acima tentaram ler o artigo de FHC mas desistiram)


Sim, viver é perigoso, sobretudo ler um artigo de Fernando Henrique numa bela tarde ensolarada do Rio de Janeiro. Sobrevém-me o desejo imperioso de abandonar essa vida sóbria de blogueiro político, tornar-me um roqueiro barrada pesada, quinze quilos mais magro, o corpo tatuado, viciado em drogas e cheio de piriguetes fáceis a meu redor. Ou então passar os dias na praia, fumando maconha.

Se a política já é considerada chata pela maioria dos jovens, textos assim contribuem efetivamente para afastá-los ainda mais desse mundo. Agora entendo a juventude transviada. Agora entendo porque o jovem paulistano e carioca de classe média alta prefere cheirar cocaína a discutir política. O "papel" colombiano é menos tóxico do que este "Papel da oposição", título do artigo de FHC.

E olha que me refiro apenas ao estilo, a esse acacianismo sem-vergonha, repetindo chavões & clichês, a essa falta de originalidade, a essa debilidade politica confessa, que força o autor a apegar-se, como o lacaio mais covarde do reino, ao rabo do alazão que a mídia usa em seus ataques...

Na época do mensalão (...) ainda havia indignação diante das denúncias que a mídia fazia e os partidos ecoavam no Parlamento.

O pior, no entanto, nem é o estilo, mas o conteúdo. FHC disfarça, mas não prega outra coisa senão defender que o PSDB abrace de vez uma postura reacionária, direitista; que esqueça as duras condições em que ainda vive a maior parte da população, e apele descaradamente para o egoísmo perverso que está sempre emergindo e se renovando na psicologia social das classes médias. Qual um feiticeiro, o tucano pede a seus correligionários que busquem catarro de barata e pentelhos de rato nas casas dos "pequenos produtores e profissionais liberais de tipo antigo e novo", para lançar no caldeirão da política nacional, prometendo que dali surgirá o elixir que os tornarão poderosos e vencedores novamente.
O povo?
O povo que se dane!
O artigo de FHC chegou cercado de sensacionalismo midiático, incluindo manchete na Folha.



Mas é tanta besteira que nem a mídia consegue mais defendê-lo. Ele disse isso aí mesmo. Confiram o trecho:

Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.


Ué, o PSDB não governa metade do país? Não tem acesso às massas através dessas instituições? É tão doloroso assim fazer o bem ao povo?

Entretanto, apesar do meu sarcarsmo meio irritado, não subestimo ninguém; nem Serra, nem FHC, nem Aécio Neves. A mídia é o quarto poder onde se instalou o Leviatã, depois que os liliputianos apearam-no, através do voto, do poder que exercia sobre os três poderes institucionais. E esses políticos tem a mídia por trás, no sentido político e pornográfico da expressão. E a grande mídia, infelizmente, ainda tem muito poder.

A única bandeira concreta defendida por FHC, afora suas platitudes enervantes, é defender a descriminalização da maconha, por incrível que pareça. E pede que o PSDB assuma esta bandeira, o que seria deveras engraçado, em vista do namoro do partido com segmentos ultraconservadores da sociedade. Mesmo neste caso, porém, é uma postura tímida, pelo menos em comparação a do governador Sérgio Cabral (RJ), que vai muito mais longe e defende a liberação e legalização das drogas, no Brasil e no mundo inteiro.

FHC devia defender também a liberação do uso da anfetamina, sobretudo para jovens que pretendam ler seus artigos, pois seria uma excelente maneira de evitar que durmam no meio do texto. Pensando bem, deixemo-los dormir. Não perderão nada.

http://oleododiabo.blogspot.com/

Escrito por Miguel do Rosário

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CHUPA ESTA , PIG (Partido da Imprensa Golpista)

A Dilma foi visitar a China, começou a cornetagem. Ela não vai ter coragem de falar em direitos humanos. Essa viagem não vai dar em nada. A China e o Brasil não têm interesses em comum. A China não vai abrir a boca sobre o Conselho de Segurança da ONU.


Aí sai o comunicado conjunto dos dois países. A China apoia a aspiração brasileira a ter assento permanente no Conselho de Segurança.

E tem mais: Brasil e China vão cooperar em ciência e tecnologia. A China quer nossos produtos manufaturados. A China vai comprar aviões da Embraer. A empresa que fabrica Ipads na China vai abrir filial aqui. Etc, etc, etc.

Os entendidos não entendem nada.

Hoje de manhã, na CBN, o desconforto do Carlos Alberto Sardenberg dava pena. Afinal, ele tinha garantido que a missão diplomática da Dilma ia dar num rotundo fracasso. No desespero, ele tentou minimizar:

- É importante dizer que a fábrica de Ipads que vem para cá é só uma montadora. O importante é o desenho da máquina. O desenho vai continuar nos Estados Unidos.

O Sardenberg quer que a Apple saia do Vale do Silício e venha para o Vale do Jequitinhonha...

Postado por Joel Bueno







China investirá R$ 18,9 bilhões em produção de telas para iPad e celulares no Brasil




Silvia Salek

Enviada especial da BBC Brasil à China

O projeto é um dos mais importantes anunciados durante a visita

A presidente Dilma Rousseff anunciou na China um projeto de investimento na área de tecnologia da informação no Brasil pela Foxconn de US$ 12 bilhões (cerca de R$18,9 bilhões) em seis anos.

O investimento seria para a instalação da produção de telas usadas em equipamentos como celulares de terceira geração e iPads. A Foxconn é o maior fornecedor de produtos da Apple na China.

Se o investimento for concretizado, a fábrica será primeira do tipo do Hemisfério Ocidental.

Dando mais detalhes sobre o projeto, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, disse que o investimento vai gerar 100 mil empregos, entre eles para 20 mil engenheiros. Além disso, a Foxconn, que ainda não escolheu local para o investimento no Brasil, construiria uma ” cidade do futuro” para 400 mil pessoas, onde seria instalada a fábrica.

“Precisa de fibra ótica, infraestrutura, banda larga. É algo extremamente sofisticado”, disse Mercadante, listando parte do que o governo ainda precisaria fazer.

Ele destacou ainda que o acordo para o investimento inclui pontos fundamentais para o governo como transfer ência de tecnologia e sócio brasileiro (o que ainda não foi definido). Este sócio entraria com parte dos recursos, mas, segundo o ministro, a Foxconn está disposta a investir “pesado”.

O volume de investimento prometido pela Foxconn, que seria distribuído ao longo de um período, equivale a quase o total de investimentos da China no Brasil em todo o ano de 2010, quando o país, segundo levantamento da entidade americana Heritage Foundation, que acompanha o destino final dos investimentos chineses, recebeu cerca de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) de investidores diretos vindos da China.

A maior parte desses investimentos, 85%, foram para áreas de recursos naturais, como petróleo e mineração.

Comemoração

A promessa de investimento da Foxconn foi comemorada pelo governo como mais um êxito na tentativa de atrair para o Brasil investimentos para a geração e maior valor agregado.

A presidente citou ainda os investimentos, também no ramo da tecnologia da informação, da Huawei e da ZTE, entre US$ 300 milhões (R$ 473 milhões) e US$ 400 milhões (R$ 630 milhões) e também um investimento de US$ 300 milhões (R$ 473 milhões) na construção de uma planta de processamento de soja na Bahia.

A presidente comemorou também o documento assinado por ela e o presidente chin ês, Hu Jintao, que assume o compromisso de tentar atender à principal demanda do Brasil nesta viagem: a diversificação da relação entre Brasil e China.

Em dois discursos, antes de se encontrar com Hu Jintao, Dilma Rousseff destacou a necessidade de se inciar um novo capítulo na relação com a China com investimentos em áreas que agreguem valor à cadeia produtiva brasileira e mais abertura no mercado chinês a produtos brasileiros que não sejam apenas commodities.

Em um de seus discursos, no semin ário empresarial do qual participou, a presidente chegou a dizer que nenhum país pode alcançar a prosperida à custa de outros.

O documento, assinado pelos dois presidentes, faz várias referências – menos incisivas – à questão.

“A parte chinesa manifestou disposição de incentivar suas empresas a ampliar a importação de produtos de maior valor agregado do Brasil”, diz o documento.

Na área de investimentos, o memorando diz que os dois lados “comprometeram-se a ampliar e a diversificar investimentos rec íprocos em particular na indústria de alta tecnologia, automotiva, nos setores de energia, mineração, logística, sob forma de parcerias entre empresas chinesas e brasileiras”. Também falaram da importância de “estratégias comuns para agregar valor a produtos alimentares agrícolas”.

Se na busca por mais equilíbrio na relação entre os dois países houve avanços, pelo menos nas promessas expressas pelo documento, em outros pontos importantes da relação bilateral, não houve novidades.

Questão pendente

O Brasil não reconheceu o status da China como economia de mercado, uma questão pendente, desde que o governo Lula prometeu o reconhecimento do status em 2004. Entre analistas chineses, havia expectativa de que, com uma solução para o caso da Embraer na China, o Brasil cedesse e pudesse mudar a posição de protelar o reconhecimento oficial.

Um acordo permitiu que a Embraer mantivesse sua fábrica em Harbin, na China, após conseguir licença do governo para produzir no país jatos executivos Legacy, que não competem com o objetivo do governo chinês de desenvolver seu próprio avião comercial de grande porte.

O documento, no entanto, diz que ” a parte brasileira reafirmou o compromisso de tratar de forma expedita a questão do reconhecimento da China como economia de mercado”.

Do lado chinês, não houve apoio explícito à candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU em uma eventual reforma da organização.

A diplomacia brasileira, no entanto, interpretou como um bom sinal palavras presentes no texto como “A China atribui alta importância à influência e ao papel que o Brasil, com maior país em desenvolvimento do Hemisfério Ocidental, tem desempenhando em assuntos regionais e internacionais, e compreende e apoia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas”.

O documento prev ê ainda a ida de uma missão empresarial chinesa ao Brasil no primeiro semestre de 2011 para, segundo o memorando, promover a diversificação do comércio bilateral e investimento recíproco.

Dilma Rousseff e a delegação brasileira, que ficam na China até sábado, assinaram mais de 20 acordos de cooperação em diversas áreas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

"Uma das donzelas virou presidente; estávamos certas"

Este vídeo, que peguei no blog do Miro, um depoimento de Rose Nogueira ao SBT, é muito emocionante, porque através dele podemos imaginar o sofrimento de Dilma Rousseff, nossa presidente, na chamada Torre das Donzelas, onde algumas mulheres foram presas e torturadas durante a ditadura. A mesma ditadura que a Folha chamou de "branda". Podemos entender porque Dilma tem uma visão de direitos humanos menos, digamos, "política" do que Lula, e, como explicou Marco Aurélio Garcia, mais combativa e rigorosa em relação à tortura, seja em Guantánamo, Arábia Saudita, Irã, ou nas prisões brasileiras.





Miguel do Rosário

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Luto eterno pela inocência perdida

Miguel do Rosário

Não tenho o que comentar sobre essa tragédia ocorrida no Rio. Nem acho que existam explicações satisfatórias. Para mim, é algo que emerge lá do fundo negro e diabólico da alma humana. A única resposta para isso é o amor, a arte, o carinho, a poesia. Não adianta culpar os filmes americanos, a internet, a mídia, o governo, a educação. Esses monstros surgem do nada, imprevisivelmente, nas melhores famílias. Nas cidades mais pacatas e nos países mais desenvolvidos. Infelizmente, um deles nasceu aqui.




Evidentemente, muitas besteiras serão ditas. Preconceitos vêm à tôna. Intelectuais darão opiniões apressadas, porque raramente admitem que não sabem, que estão tão perplexos como nós.



Não sei, realmente, o que dizer. Vou arriscar um poema:



nas entranhas, sufocado pelo sangue,

o verme se agita

sem amor, sem compaixão,

ele simplesmente se agita

e talvez gritasse,

se soubesse gritar



é quase isso, porém.

o berro de um verme

preso no meio das entranhas

ensanguentadas de uma criança



uma criança, meu deus,

tão linda como uma praia,

uma manhã de sol

de temperatura amena

e ar úmido

em frente ao mar sereno

o mar azul e livre

livre qual uma criança

sem entranhas

sem vermes

sem vida



falam em religiões,

em deus,

em doenças psiquiátricas,

mas esquecem do principal

das entranhas sujas

e dos vermes

estranhos que nelas

se debatem, ariscos,

quase felizes em sua agonia

de monstros em seu habitat



não haverá mais belas manhãs,

o Rio perdeu sua inocência

o Rio perdeu o amor

o Rio perdeu a esperança



A cidade se debruça

à bordo de suas montanhas,

vomita sobre todos nós

e depois chora

copiosamente.



chores também, você,

a sua vida perdida

o luto eterno

a morte que nos espreita

sem ligar se o dia é belo

ou se as meninas são belas



o rio morreu nesta quinta-feira

baleado na cabeça

por um psicopata filhodaputa

que pagará no inferno

dez milhões de anos

mastigado lentamente pelo próprio chefe

dos subterrâneos incendiados



inconsoláveis

acordaremos amanhã

semimortos

como zumbis,

e perambularemos pelas ruas

vazias de sentido

como quem vagueia

perplexo

por uma cidade destruída por uma bomba

e ainda cheia de radioatividade



vamos dormir então

por uns bons anos

tornarmo-nos alcóolatras

bater em nossos filhos

enganar os amigos

pois a moral e o amor já não tem sentido



expulsamos os anjos

do paraíso,

e os substituimos

por homens cínicos

e armados



as entranhas já estão corroídas

pelos vermes

pela tristeza

e pela maldade



adentremos o inferno,

as entranhas em fogo

o coração frio

sem ouvir os gritos



das crianças



sem ouvir nosso próprio grito

de desespero

e desesperança



mas depois fugiremos

de novo para cima

para a luz

e costuraremos o abdômem

rompido, por onde elas

as entranhas, nos escapavam



e talvez dormiremos

ao ar livre,

o coração batendo muito forte

por causa da fuga

e pela emoção também



de estarmos vivos

e sermos novamente pessoas boas

cidadãos notáveis

que culpam a mídia e o governo

e dormem um sono pesado

após a cachaça da terça-feira



mas acordarás de madrugada

para vomitar

assim como a cidade

vomita sobre você do alto dos picos da tijuca



então pegará os jornais pela manhã

pingando sangue, e na cozinha,

ralando cenoura e cortando o tomate,

esquecerás dos anjinhos

que nunca leram dante

as mocinhas bonitas

que podiam se tornar suas amigas

daqui a alguns anos.



concentrar-te-ás somente na faca

laminando o tomate

lentamente

cruelmente

eternamente.

quinta-feira, 31 de março de 2011

JANGO de Silvio Tendler (1984)

Oficialmente hoje, na prática amanhã, primeiro de abril, completam-se 47 anos do golpe que depôs João Goulart e atirou nosso país numa ditadura de 20 anos.


Foram precisos 25 anos até termos eleições diretas para presidente e 38 anos até termos, de novo, um presidente nacionalista e alinhado aos interesses dos trabalhadores.


PROVOCAÇÕES - MINO CARTA

Mino: PiG implorou


pelo Golpe Militar







terça-feira, 29 de março de 2011

A VIDA ETERNA DE JOSÉ ALENCAR.

"Não tenho medo da morte, mas da desonra."



Com informações da Wikipedia editadas por Eduardo Guimarães


José Alencar Gomes da Silva (Muriaé,1931 + São Paulo, 2011) foi senador por Minas Gerais e vice-presidente do Brasil de 2003 a 2011. Foi um dos maiores empresários de Minas Gerais. Construiu um império no ramo têxtil, sendo a Coteminas sua principal empresa. Elegeu-se vice-presidente da República na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, conseguindo a reeleição em 2006.

Filho de Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva, começou a trabalhar com sete anos de idade, ajudando o pai em sua loja. Tinha 14 irmãos e irmãs. Quando fez quinze anos, em 1946, foi trabalhar como balconista numa loja de tecidos conhecida por “A Sedutora”. Em maio de 1948, mudou-se para Caratinga para trabalhar na “Casa Bonfim”.

Notabilizou-se como grande vendedor, tanto neste último emprego, quanto no anterior. Ainda durante sua infância, tornou-se escoteiro. Aos dezoito anos, iniciou seu próprio negócio. Contou com a ajuda do irmão Geraldo Gomes da Silva, que lhe emprestou quinze mil cruzeiros.

Em 1950, abriu a sua primeira empresa, denominada “A Queimadeira”, localizada na cidade de Caratinga. Vendia diversos artigos: chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas, sombrinhas, etc. .

Em 1953, iniciou seu segundo negócio, na área de cereais por atacado, ainda em Caratinga. Logo em seguida participou – em sociedade com José Carlos de Oliveira, Wantuil Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes da Silva Filho – de uma fábrica de macarrão, a “Fábrica de Macarrão Santa Cruz”.

No final de 1959, seu irmão Geraldo faleceu. Assumiu então os negócios deixados por ele na empresa União dos Cometas. Em homenagem ao irmão, a razão social foi alterada para Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.

Em 1963, constituiu a Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas, que, mais tarde, passaria a se chamar Wembley Roupas S.A.

Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos que o país já conheceu.

A Coteminas cresceu e hoje são onze unidades que fabricam e distribuem os produtos: fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e Mercosul.

Na vida política, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Candidatou-se às eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos.

No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura – CI, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

Foi, ao início, um vice-presidente polêmico, ao assumir o cargo em 2003, tendo sido uma voz discordante dentro do governo contra a política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que mantém os juros altos na tentativa de conter a inflação e manter a economia sob controle.

Já a partir de 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Por diversas oportunidades, demonstrou-se reticente quanto à sua permanência em um cargo tão distinto de seus conhecimentos empresariais, mas a pedidos do presidente Lula, exerceu a função até 2006. Na ocasião, renunciou para cumprir as determinações legais com o intuito de poder participar das eleições de 2006.

José Alencar tinha um delicado histórico médico. A partir de 2000, enfrentou um câncer na região abdominal, tendo passado por mais de 15 cirurgias – uma delas com duração superior a 20 horas. Em sua longa batalha contra o câncer, submeteu-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos, com resultado inconclusivo. Em 2010, após repetidas internações e intervenções médicas, decidiu desistir de se candidatar ao Senado, por considerar uma injustiça com os eleitores.

No final de seu mandato como vice-presidente, em 2010, apresentou o complexo estado de saúde, sendo até mesmo necessário interromper o tratamento contra o câncer. No dia 22 de dezembro de 2010, foi submetido a uma cirurgia para tentar conter uma hemorragia no abdome. Voltou a ser internado em março de 2011, vindo a morrer no dia 29 devido a parada cardíaca e falência múltipla dos órgãos.

São poucos os políticos brasileiros que nos fazem chorar quando morrem. José Alencar é um deles

segunda-feira, 28 de março de 2011

DIÁRIOS DE MOTOCICLETA




Em artigo, Walter Salles relembra Alberto Granado, companheiro de Ernesto Guevara, morto no início de março
Publicada em 27/03/2011 às 09h13m
Walter Salles*


RIO - A notícia apareceu primeiro na internet, com a frieza característica dos meios eletrônicos: "Morre o companheiro de Ernesto Guevara na viagem de motocicleta através da América Latina."

Logo, começaram a chegar mensagens emocionadas de todos os cantos por onde filmamos: Argentina, Cuba, Chile, Peru. A mesma pessoa que nos havia unido em torno de "Diários de motocicleta", que ele havia idealizado junto com seu amigo Ernesto, nos reunia uma vez mais: Alberto Granado. As muitas cartas recebidas coincidiam: que sensação de vazio para aqueles que tiveram o privilégio de conhecer Alberto.

As imagens de nosso primeiro encontro voltam à tona. O jovem de 80 anos que nos recebeu em Havana para uma longa entrevista era luminoso. Para o roteiro do filme, relembrou cada etapa da odisseia vivida através de um continente que lhe era então desconhecido. Era um grande contador de histórias - cada caso soava melhor do que o outro, o que triplicou o trabalho do roteirista.

Alguns meses mais tarde, levei Gael García Bernal e Rodrigo de la Serna para conhecê-lo. A foto acima foi tirada nessa ocasião. Alberto era cinéfilo, conhecia bem os filmes que Gael havia feito e tinha visto "Central do Brasil" no Festival de Havana. Já Rodrigo era um estreante no cinema, mas isso não arrefeceu o entusiasmo de Alberto. Apoiou desde o início um ator ainda desconhecido, confiando no seu instinto. Também não se importou com o fato de que um ator mexicano iria viver o seu amigo Ernesto, argentino de origem e cubano de coração. Confiou naquele grupo improvável composto por um brasileiro, um mexicano e um argentino estreante.

Passamos vários dias com ele, e fomos aprendendo a conhecê-lo melhor. Alberto era um homem de fortes convicções, sem nunca ser impositivo ou dogmático. Tinha um humor desconcertante. Uma vez, nos ofereceu vinho "feito em casa" às 9h da manhã. Gael perguntou se era branco ou tinto. "Nessa ordem", respondeu Alberto. "É feito de arroz. Nos três primeiros dias é branco, depois vira tinto." Cada ocasião era propícia para seu brado de guerra: "Que buena ocasión para un brindis."

Um ano depois, quando o filme começou a ser rodado e ele veio nos visitar, usava essa frase para comemorar um bom dia de filmagem, ou para nos ajudar a esquecer alguma frustração maior. Nunca fez reparos ao roteiro, ou a uma cena que estivesse sendo construída. Filme montado, não pediu uma mudança sequer. Fez questão de nos dar liberdade total na adaptação da sua própria vida.

Isso não quer dizer que Alberto não tenha sido determinante para "Diários de motocicleta". Poucos dias antes da filmagem, ele percebeu o quanto estávamos tensos e liberou Gael de um peso que ele (e eu) tinha dificuldade em carregar. "Não quero me intrometer no filme", disse para Gael, "mas se você me permite uma observação, não tente mimetizar Ernesto. Você tem a mesma idade que ele tinha quando fizemos a viagem, 23 anos, é igualmente inteligente e sensível, está lendo os mesmos livros que ele lia. Encontre a sua própria voz para viver essa história, e assim você fará justiça a ele."

Foi uma chave fundamental para Gael - e para "Diários". Adaptar aquela história não era uma questão de reproduzir exatamente cada etapa do relato, mas encontrar a essência da viagem. Daí surgiu a ideia de que o filme deveria ser, antes de mais nada, sobre uma escolha - a da margem do rio em que aqueles dois jovens iriam passar o resto de suas vidas.

Quando acabou a montagem do filme, algo parecia estar faltando. Fui até Havana com uma pequena equipe e pedi a Alberto para filmá-lo se lembrando do momento em que, após oito meses na estrada, os dois amigos se separaram. Filmamos um único plano. Alberto olhou para o horizonte, na direção que lhe pedi - onde o avião que levava Ernesto estaria. Foi a única vez que o vi tomado por um sentimento de gravidade e de tristeza. É o plano que fecha o filme. Até hoje, penso que aquele olhar foi determinante - ancorou o filme.

Alberto não pôde acompanhar a estreia de "Diários" no Festival de Sundance - o visto americano lhe foi negado. Mas veio para Cannes, e de lá fez questão de seguir para uma série de outros festivais. A cada nova cidade, era o último a fechar a noitada, e sempre bailava um tango com uma pessoa diferente - era exímio dançarino. Se o filme chegou à marca de 12 milhões de espectadores, foi em parte graças a Alberto e aos amigos que ele fez no caminho.

Os anos passaram, e a família de "Diários", como todas as famílias de cinema, partiu para outras aventuras. Mas continuamos em contato com Alberto e sua família, e nos correspondíamos com constância. Até que a notícia que não queríamos ler se materializou.

"Às vezes, é preciso perder alguém para compreendermos o quanto essa pessoa foi determinante em nossas vidas", escreveu-me Rodrigo de la Serna, ao saber da morte de Alberto. Foi uma sensação que ainda não havíamos vivenciado, a de perder ao mesmo tempo um amigo e um ponto de referência.

Alberto viveu de forma plena e coerente. Bioquímico especializado no combate à lepra, aceitou o convite de Ernesto Guevara para ir trabalhar em Cuba e nunca abandonou o amigo - ou a sua memória.

Não era uma pessoa melancólica. Para Alberto, não havia lugar para esse sentimento. Foi o que sua mulher, Delia, me lembrou quando falamos por telefone, pouco depois do seu desaparecimento.

"Foi uma morte tranquila e feliz, como uma extensão de sua vida. A biblioteca da nossa casa está cheia de flores e de música. Acabamos de ler uma carta de Gael para toda a família. Há muita claridade e luz."

Antes de desligarmos, Délia me perguntou se havia uma garrafa de vinho por perto. Pegou um copo de tinto em Havana, e eu, outro aqui no Brasil. "Que buena ocasión para un brindis", exclamou, ecoando o brado de guerra de Alberto.

Bebemos então à memória da pessoa única que foi Alberto Granado. Assim terminou a nossa conversa.

Um amigo chileno me lembrou que, ao perder uma pessoa próxima, o escritor Eduardo Galeano disse: "Uma parte de mim morre com ele, uma parte dele vive em mim."

É verdade. E quanto mais penso em Alberto, mais recordo uma das aventuras mais extraordinárias que o cinema me possibilitou viver.


* Walter Salles é cineasta e dirigiu "Diários de motocicleta" em 2004

segunda-feira, 21 de março de 2011

A GUERRA QUE VOCÊ NÃO VÊ

Todos devem assistir. Ingenuidade e desconhecimento  
produz o inocente útil ou o cínico.  

O cara, a coroa e o careta.



Yes, we can


Comecemos pelo careta


Esteve aqui apenas para marcar presença e dar um recado.

Não apoiou o Brasil para uma cadeira no Conselho de Segurança

E vai continuar exigindo vistos para os brasileiros entrarem nos EUA.

Foi aplaudido em pé pelos serviçais, e seus agentes secretos é que ditaram todas as regras.

Enfim, sentiu-se de fato numa plantation.

Falemos da coroa

Nada a objetar sobre o seu comportamento.

Ela saiu engrandecida ao ser visitada antes de visitar.

A lamentar o comportamento servil de seus ministros.

Ofenderam 200 milhões de brasileiros ao aceitarem serem revistados, em seu próprio país, por alienígenas.

Falemos sobre o cara

Não compareceu ao beija-mão, porque sabia que Obama é um blefe.

Obama afirmou durante a campanha que ia enquadrar os bancos, fechar Guantánamo e retirar as tropas do Iraque e do Afeganistão.

Não cumpriu nenhuma de suas promessas e ainda atacou a Líbia.

Um genérico de Bush.

E quando Bush pediu ao Lula para que o governo brasileiro participasse da guerra “para proteger a segurança mundial das armas de destruição em massa”, o presidente Lula foi incisivo: “Nossa guerra é contra a fome”.

E aí fica a pergunta: o que o Sr. Obama veio fazer no Brasil?

A resposta é simples.

Espera apossar-se do pré-sal sem necessidade de invadir o país.

Ao atacar a Líbia o seu recado não podia ser mais claro.

Ou o petróleo ou a vida.

E por aqui ele terá o apoio da mídia empresarial e das autodenominadas elites.

E, lamentavelmente, dos mal informados, que não são poucos.