quinta-feira, 5 de maio de 2011

Relendo a Bíblia.

blog do bourdoukan

Enquanto houver um explorado, um oprimido, não haverá paz

Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa.
Michael Moore


                    Fac-símile da Biblia de Gutemberg


Relendo a Bíblia

E foram muitos mais os que matou morrendo, do que os que matara antes quando vivo(Juízes 16,30).

Esse trecho da Bíblia conta como Sansão, o hebreu (o que veio de fora) matou mais de três mil filisteus dando cabo à própria vida. Ou seja, sacrificar-se juntamente com o inimigo não é algo original no Oriente Médio.

Há mais de dois mil e quinhentos anos que isso acontece, mas coube a Sansão o mérito da primazia.

Para os raros leitores da Bíblia (apesar de ser o livro mais vendido no Ocidente) explica-se que Sansão era um sujeito inquieto que gostava de uma briga. Em Juízes 16,15 está escrito: “E pegando na queixada de um jumento, que achou à mão, e que jazia ali, matou com ela mil homens”.

A bíblia não explica quanto tempo ele levou para matar mil homens na base da porrada e nem como isso foi possível. O que não tem a menor importância porque todo mundo acredita no Livro Sagrado mesmo sem nunca tê-lo lido.

Sansão gostava de freqüentar o que as más línguas de hoje denominam de prostíbulos.

Seu nome em aramaico (Shamshum) significa pessoa ágil e vivaz, mas, infelizmente para ele, não tão ágil e vivaz quanto a belíssima Dalila, por quem se apaixonou perdidamente a ponto de lhe revelar a origem de sua força.

Dalila, cujo nome pode ser traduzido como Guia ou Orientadora, aproveitou-se para vingar o massacre de seu povo. Afinal, num mundo onde ainda prevalece o olho por olho, dente por dente, há pouco espaço para o amor, para o perdão e para a solidariedade. O resto da história todo mundo conhece, graças ao cinema.

Após sacrificar a própria vida para matar seus inimigos, Sansão foi enterrado no túmulo de seu pai Manué, “depois de ter sido juiz de Israel vinte anos (19-31)”.

Mais de dois mil e quinhentos anos depois, o número de adeptos de seu exemplo (matar o inimigo com o próprio sacrifício) cresce vertiginosamente.

O que não deixa de ser lamentável.

Será isto o que nos reserva o mundo?

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