quarta-feira, 10 de outubro de 2012

JOSÉ GENOINO


“A INOCÊNCIA DE MEU PAI”,
JOSÉ GENOINO

“Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado ?” .

Uma família que ameaça os Supremos Valores da Pátria !



Conversa Afiada reproduz e-mail que recebeu de Miruna Kayano Genoino:

Paulo Henrique Amorim,

Meu nome é Miruna Kayano Genoino e sou filha de José Genoino Neto. Como parece ser raro encontrar jornalistas em que se pode confiar, decidi apostar neste e-mail que não sei se é correto, porque parece que você tem sido capaz de trazer outro olhar ao que vem acontecendo em nosso país.

Se puder, gostaria que lesse o texto que é o desabafo não só meu, mas de toda nossa família.

Um abraço,

Miruna






Em tempo: ao se demitir de cargo que ocupava no Ministério da Defesa, José Genoino leu a seguinte nota:





José Dirceu


Não calarão José Dirceu

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9 de outubro de 2012 ficará registrado na história do país como o dia infame em que um seu cidadão foi condenado politicamente pela mais alta instância do Judiciário brasileiro, por um tribunal que deveria tê-lo julgado por critérios estritamente técnicos.
Até as condenações de certos membros do dito “núcleo político” da Ação Penal 470 ainda se podia buscar algum resguardo factual em “atos de ofício”, ainda que “tênues”, como diria o procurador-geral da República. No caso de José Dirceu, porém, não há condenação técnica possível.
Contra Dirceu não há contratos assinados, não há saque de dinheiro, não há nada além do testemunho de seu maior inimigo, uma operação imobiliária regular feita por sua ex-esposa e um emprego que ela conseguiu.
É possível uma dúvida razoável sobre o inimigo de Dirceu ter mentido e sobre sua mulher ter conseguido um empréstimo e um emprego sem interferência dele? Duvido que até os juízes que o condenaram neguem que essa dúvida existe.
Na dúvida, o Direito Universal exige que os tribunais decidam a favor dos réus. No caso de Dirceu, essa dúvida é muito maior do que para os outros condenados.
Jamais o STF usou para um político critério sequer parecido com os que foram inaugurados para Dirceu acima de qualquer outro réu daquela Ação Penal. A condenação dele, entenda-se, foi uma exceção à norma daquele Colegiado.
O Tribunal de Exceção que condenou Dirceu deixou clara a sua natureza ao dar tratamento diverso à ação penal correlata àquela em que o ex-ministro foi julgado, mas que envolve o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo.
Durante anos, Dirceu não desfrutou, nem por um segundo, do benefício constitucional de presunção da inocência. É tratado como condenado desde 2005, quando sua pena começou a ser cumprida oficiosamente.
Os juízes de Dirceu foram devidamente pressionados, intimidados com ataques da mídia, quando não se submeteram, e subornados com exposição positiva quando obedeceram aos ditames midiáticos.
E, se faltasse alguma prova da manipulação desse julgamento pela mídia em favor de partidos de oposição ao governo federal do PT, declarações da acusação a Dirceu e dos juízes que o condenaram confessaram o objetivo político do processo, tal como veio sendo conduzido.
Neste momento, boa parcela da classe política já se deu conta do que essa politização da Suprema Corte de Justiça do país representa para a democracia. Quando grupos de pressão se apropriam do Judiciário, ninguém mais está a salvo de julgamentos de exceção.
O Brasil verá a manipulação vergonhosa que foi esse julgamento quando o STF julgar – ou quando não julgar, por prescrição – o mensalão do PSDB. E, mais adiante, quando for julgar – ou não – a ação que será proposta contra o governador Marconi Perillo pela CPI do Cachoeira.
Pelos critérios que o STF usou para Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e João Paulo Cunha, o ex-presidente do PSDB e hoje senador Eduardo Azeredo e o governador de Goiás, Marconi Perillo, terão que ser condenados. Até porque, contra eles há muito mais do que “domínio de fato”.
Alguém acredita que isso ocorrerá? E, se ocorresse, alguém ficaria sabendo sem ler a blogosfera e as redes sociais? A mídia faria versão explicativa para crianças via história em quadrinhos? O Jornal Nacional gastaria até metade da duração de suas edições para acusar os tucanos?
Vão esperando sentados que de pé cansa.
É nesse contexto que a nota que recebi da assessoria do ex-ministro José Dirceu, e que reproduzo ao fim deste post, constitui um alento. Nela, ele promete que não conseguirão calá-lo com essa condenação infame.
É disso que o Brasil precisa, de forma que quero registrar meu apoio e solidariedade ao ex-ministro. Conto com a força desse homem que já desafiou uma ditadura bem pior do que a do STF, uma ditadura que não assassinava só a honra dos seus inimigos.
Conte comigo, Zé, enquanto você lutar para que o Brasil, um dia, tenha, entre tudo mais que lhe falta, um Judiciário que trate a todos de acordo com critérios rotineiros, não usando exceções nem para amigos, nem para inimigos políticos.
Fecho o texto com uma curiosidade: 9 de outubro é o dia em que Che Guevara foi assassinado.
***
Leia, abaixo, a nota de José Dirceu sobre a condenação infame de que foi alvo

AO POVO BRASILEIRO
No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.
Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.
Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.
Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.
Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.
Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.
A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.
Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.
Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.
Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.
Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

CHE


Guerrilheiro foi morto em 8 de outubro de 1967 na Bolívia 

Che Guevara fidel castro-tp

PT E PSB SOBEM. PSDB DESABA


PT E PSB SOBEM.
PSDB DESABA

O PT cresceu 14% em número de prefeituras; o PSDB, futuro DEMO, elegeu 13% menos prefeitos que em 2008.
O Bom (?) Dia Brasil noticiou assim, com a ligeireza com que trata de engarrafamento em Cascadura.

A Folha (*) destacou o menos importante: 

PMDB É CAMPEÃO EM NÚMERO DE PREFEITOS, PT VENCE EM TOTAL DE VOTOS



Os partidos da base da Dilma e do Lula ganharam a eleição.

A oposição perdeu.

O PSDB ruma ao buraco do DEMO.

Senão, vejamos.

O PMDB ainda é o partido com o maior número de prefeitos, mas caiu 15% em relação a 2008.

O PT cresceu 14% em número de prefeituras. 

E é o partido que recebeu mais votos em todo o país – um aumento de 4% em relação a 2008.

O PSB foi ainda melhor.

Cresceu 51% no total de votos e 41% no total de prefeituras.

O PSDB, futuro DEMO, elegeu 13% menos prefeitos que em 2008.

Em todo o país, o número de eleitores do PSDB caiu 4%.

A soma de PMDB com PT e PSB demonstra que a Presidenta Dilma ganhou a eleição.

O Eduardo Campos, também.

O objetivo do PiG (**), agora, será fabricar a oposição entre Dilma e Campos, como tentou separar Lula de Dilma.

O Fernando Henrique foi quem tentou de forma mais ousada, e recebeu como prêmio uma nota devastadora da Dilma, de que não se recuperou até hoje.

Neste domingo, o Farol de Alexandria, que só aparece no PiG (**), mas o PSDB o esconde do palanque, diz que o PSDB deve tentar se aproximar do PSB:

FHC DEFENDE APROXIMAÇÃO COM PSB EM 2014



Precisa ver se o Eduardo Campos quer segurar a alça da mala do FHC.

Em tempo: Conversa Afiada saúda com entusiasmo a retumbante votação do tucano Marcelo Lunus Itagiba para vereador, no Rio: 9 mil votos, num colégio de 4 milhões 700 mil eleitores. Um jênio. Cerra e Daniel Dantas perdem um Legislador de escol.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.




quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Falemos de corrupção e compra de votos


Nos governos Lula e Dilma, polícia federal, Procurador Geral da República e STF tiveram e têm autonomia pra investigar e julgar.
Já no governo FHC, o Procurador Geral da República era conhecido pelo povo como “Engavetador Geral”. E olhem que as fitas que a Folha anuncia na Manchete não são aos áudios de Veja que ninguém nunca ouviu, nem mesmo os jornalixos da Veja.
 A imagem é do álbum de Uriel Mikowski
Atualização:
 Mas isso é passado, dizem amigos tucanos. Pois é, mas se prevalecesse o voto do ministro Celso de Mello… Não há prescrição, né?”





Taí a prova do crime, a capa da Folha do dia 13 de maio de 1997, com a manchete destacando a compra de votos para a emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, crime até hoje impune.



Nem a ditadura militar ousou dar o golpe constitucional do tucano FHC, que comprou a emenda de sua reeleição


A ditadura civil-militar governou nosso país de 1964 a 1985. Foram 21 anos de golpe, tortura, violência, censura, prisões arbitrárias, exílio, assassinatos. Judiciário, Legislativo, imprensa, movimentos sindicais, estudantis, tudo censurado, reprimido.

Mas uma coisa os militares não ousaram, rasgar a Constituição e impor a reeleição. Havia eleições, indiretas, impostas, mas saía um ditador, entrava outro.

Somente com o Príncipe dos Sociólogos, o ídolo dos ídolos de nossa mídia corporativa, o homem que vendeu o Brasil e não recebeu, Fernando Henrique Cardoso, é que o Brasil rasgou a Constituição e, através de uma emenda comprada, com dinheiro vivo, de corrupção, a reeleição passou a valer no Brasil, e já para Fernando Henrique.

Como disse, nem os militares, que torturaram, exilaram, assassinaram, ousaram tanto.

No Norte, nos estados do Amazonas, Acre, Roraima, deputados foram comprados por R$ 200 mil cada, segundo reportagem publicada pela Folha. Fernando Rodrigues teve acesso às gravações que mostraram todo o esquema.

Se foi assim no Norte, quanto não foi negociado no restante do país?

Confira aqui a reportagem de maio de 1997 de Fernando Rodrigues: Deputado diz que vendeu seu voto a favor da reeleição por R$ 200 mil.

A seguir, trecho incial da reportagem:


O deputado Ronivon Santiago (PFL-AC) vendeu o seu voto a favor da emenda da reeleição por R$ 200 mil, segundo relatou a um amigo. A conversa foi gravada e a Folha teve acesso à fita.
Ronivon afirma que recebeu R$ 100 mil em dinheiro. O restante, outros R$ 100 mil, seriam pagos por uma empreiteira -a CM, que tinha pagamentos para receber do governo do Acre.
Os compradores do voto de Ronivon, segundo ele próprio, foram dois governadores: Orleir Cameli (sem partido), do Acre, e Amazonino Mendes (PFL), do Amazonas.
Todas essas informações constam de gravações de conversas entre o deputado Ronivon Santiago e uma pessoa que mantém contatos regulares com ele. As fitas originais estão em poder da Folha.
O interlocutor do deputado não quer que o seu nome seja revelado. Essas conversas gravadas com Ronivon aconteceram ao longo dos últimos meses, em diversas oportunidades.

Esse sim é o maior escândalo de corrupção de nosso país.

_____Surrupiado de 

Maria Frô e Blog do Mello

___________

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A ausência de Eric Hobsbawm



03 OUTUBRO 2012

Não, eu não sou o Nelson Motta


Hoje em dia, todo documentário da música brasileira, tem o entrevistado número um. Acertou quem respondeu Nelson Motta. Ele estava em todas! Passou por tudo. Virou figurinha carimbada, da Bossa Nova ao Tropicalismo, passando pelos festivais. Até no documentário do Raul Seixas lá estava o Nelson. Há quem diga, inclusive, que em algumas situações ele não estava lá coisíssima nenhuma...

Aqui no blog conto passagens históricas em que fui testemunha ocular. Mas longe de ser um Nelson Motta hehehe, apesar de ter participado de vários e muitos dos principais acontecimentos envolvendo a cobertura jornalística naquela que já foi a mais respeitada emissora de TV do país, quando ainda tinha um pouquinho de compostura.

Este preâmbulo é para dizer que, no início dos anos 90 do século passado frequentei a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Fui ouvinte do curso de História Moderna, a cargo do professor Nicolau Sevcenko. Suas aulas eram as mais concorridas da época. Sala lotada. Chamava a atenção, além do brilhantismo do mestre, seu penteado que escondia a careca e uma garrafa de coca-cola de dois litros pela metade e sem gelo. Suponho também àquela altura sem gás.


A memória daquele tempo veio inteira à mente hoje quando li a homenagem do mestre ao maior de todos os mestres, Eric Hobsbawm. Fiquem com o texto do professor Nicolau, na Folha:


"Era um evento regular, perfeitamente previsível. Três horas da tarde, o som de passos pesados começava a ecoar nos andares inferiores.

Aos poucos, à medida que avançavam, o assoalho todo começava a tremer. Plóf..., plóf..., plóf..., o ruído aumentava, a trepidação crescente fazia a xícara de chá tremular no pires.
De repente, num estrondo, a porta escancarava e aparecia a figura ofegante do professor Eric Hobsbawm, morto na segunda (1º) aos 95 anos.

Cara vermelha, olhos injetados, à beira de uma apoplexia. Havia vencido heroicamente os três andares através de uma escada estreita e íngreme, ingressando afinal no seu escritório, sala 33 da Tavistock Square nº 35, sede do Instituto de Estudos Latino Americanos da Universidade de Londres.

Vinha ao prédio de sapatos, mas trocava por um par de tênis especialmente reservado para a grande escalada. Chegando, levava alguns minutos para recuperar o fôlego, e logo se punha a trabalhar concentrado. Nunca se queixou do esforço.

Tive o raro privilégio de dividir aquela sala com o mestre entre fins da década de 80 e início de 90. Foram anos decisivos, o colapso dos regimes da Europa Oriental desafiava suas convicções e o melhor de suas energias intelectuais.

O telefone não parava: jornalistas, editores, intelectuais, ativistas, revolucionários, alunos, artistas, autoridades, gentes anônimas que liam seus artigos. Atendia a todos com a mesma atenção e paciência. Não tinha secretária.

Acabada a sessão telefônica, desconectava discretamente o aparelho e se dedicava a escolher dentre os livros recebidos aqueles que, como editor, distribuiria dentre os colaboradores da revista do partido para serem resenhados.

Depois, vinha o momento que eu mais ansiava: ele se punha a comentar os tais livros comigo, um mero pretexto para organizar mentalmente suas ideias, esboçando a edição da revista.

Gentilmente, me perguntava sobre o andamento das minhas pesquisas, fornecendo indicações preciosas, rebuscando dentre seu enorme acervo tudo o que considerava relevante para o desenvolvimento do trabalho. Não raro, me trazia livros de sua biblioteca pessoal.

Sua generosidade era espontânea e genuína.

Ele conhecia muito bem o objeto da minha pesquisa, a transformação cultural dramática de São Paulo nos anos 1920, tema do que seria o livro "Orfeu Extático na Metrópole". Havia ali uma crítica explícita a um modelo de política de massas que dissentia abertamente de suas concepções políticas.

Expondo suas críticas e discordâncias, ele me acossava como um grande mestre diante de um calouro num tabuleiro de xadrez. Mas jamais me deu o xeque-mate. Seu respeito pelos interlocutores era do tamanho da sua generosidade.

Divergindo, ele me ajudou e fertilizou meu trabalho como se eu fora seu dileto discípulo. Não era só comigo.

Quem entrava naquela sala tinha acesso imediato ao melhor da sua privilegiada inteligência crítica, sua erudição infinita e a inspiração da sua sólida integridade intelectual.

Num mundo de moralidade dissolvente e corrosão sistemática do conhecimento erudito, a ausência de Eric Hobsbawm soa como um colapso.

O mundo era maior e mais promissor na confusão criativa da sala 33, Tavistock Square nº 35, do que será agora, para sempre fora dela."

A Praga Global.


Vexame: TV Globo cancela debate para poupar José Serra

Olha a bolinha de papel aí de novo na tela da Globo, gente!
Há 48 horas da realização do debate entre candidatos a prefeito de São Paulo, a TV Globo cancelou.

É mais um ataque da TV Globo contra a liberdade de imprensa (*), contra a liberdade de expressão, contra a democracia e a lisura dos pleitos eleitorais, talvez para "comemorar" os 30 anos do escândalo Proconsult.

O cancelamento da emissora demotucana atende aos interesses de José Serra (PSDB), que perdeu todos os debates.

Quem saiu-se melhor em todos os debates foi Haddad (PT) e Chalita (PMDB). O debate poderia levar Haddad a ganhar mais votos de Russomanno e Chalita tirar votos de Serra.

O candidato Russomanno (PRB) também está comemorando o cancelamento, pois ele e José Serra são os dois fujões que faltaram a vários debates e sabatinas nestas eleições.

Deve ter pesado na decisão o desempenho demolidor de Haddad diante das perguntas de Cesar Tralli no telejornal SP-TV. A Globo não quer dar a palavra a Haddad para ele responder que o "mensalão" nasceu tucano, e que a Globo está escondendo o mensalão tucano, ainda nas gavetas dos STF:



O desempenho de Serra neste mesmo telejornal foi pífio, e o de Russonanno desastroso.

Oficialmente, a Globo alega que tem um laudo (não se sabe se é do perito Molina) dizendo que o debate só deve ter até 6 candidatos. Os candidatos Levy Fidelix (PRTB) e Carlos Giannazi (PSOL) não abriram mão da imposição global, pois a Justiça Eleitoral garante a participação a todos os partidos que tem bancada na Câmara dos Deputados.

Cá pra nós: oito candidatos, em vez de seis, não é desculpa para inviabilizar um debate. Outros canais de TV fizeram os debates com os oito candidatos e o resultado foi positivo.

(*) Liberdade de imprensa não é apenas liberdade do dono da TV, é liberdade do telespectador ir e vir à informação ampla.

Melhora na situação econômica


A percepção da melhora na situação econômica

Da Folha
Antonio Delfim Netto
Numa linha diferente da maioria dos economistas que acreditam em leis "naturais" -o que sugere a liberdade para os mercados- e de outros que supõem leis "históricas" que inevitavelmente se realizam, dois gigantes dos séculos 19 e 20, Knut Wicksell (1851-1926) e John Maynard Keynes (1883-1946) sabiam que o homem não tinha um destino dado.
Para Wicksell ("Saggi di Finanza Teorica", 1896), o "último objetivo (...) é a igualdade de todos diante da mesma lei, a maior liberdade possível, o bem-estar econômico e a cooperação pacífica entre todos" -um programa que implicava na educação financiada pelo Estado, na criação de seguro-saúde, na tributação progressiva e num imposto sobre herança destinado a criar um fundo para educar jovens trabalhadores a se aperfeiçoarem e a se firmarem na vida.
Para Keynes ("The End of Laissez-Faire", 1926), "era preciso pôr, desde logo, às claras o princípio metafísico sobre o qual fundou-se o 'laissez-faire'. Não é verdade que os indivíduos detenham uma liberdade natural na sua atividade econômica. Não existe 'contrato' que confira direitos perpétuos àqueles que possuem bens ou os adquiram. O mundo não é governado do alto, de forma que o interesse privado e o interesse social sempre coincidam. Ele não é, tampouco, dirigido aqui em baixo, de forma que os façam coincidir na prática. Não é correto, portanto, deduzir dos princípios da economia que o interesse individual trabalha sempre a favor do interesse público".
Wicksell e Keynes têm em comum a ideia de um processo civilizatório que deve se apoiar na racionalidade, na cooperação e na justiça, no seio de instituições que garantam o exercício da plena liberdade individual.
Uma questão interessante é saber como se mede o avanço do processo civilizatório: se é pelo comportamento do agente ativo das políticas públicas que obedece aos cânones de uma suposta ciência econômica, combinada com o liberalismo político, ou se é consultando os agentes passivos daquelas políticas.
Pesquisa do Pew Research Center intitulada "O desânimo permanente sobre a economia mundial", realizada em 21 países e com consulta a 26.210 indivíduos entre 17 de março e 20 de abril de 2012, deixa a questão sem resposta.
No estudo, lê-se: "As pessoas podem pensar que a sua situação é melhor do que a situação econômica dos seus países, mas apenas no Brasil (72%) e na China (70%) larga maioria acredita que suas famílias estão melhores hoje do que há cinco anos". No México, 30%; nos EUA, 27%; na Alemanha, 23%; no Japão, 11%; e, na Espanha, 9%. Isso deveria ser um sinal amarelo para alguns de nossos arrogantes "cientistas".
ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras nesta coluna.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

“Um País justo e desenvolvido”


“Um País justo e desenvolvido”

por Dilma Rousseff, via CartaCapital
A presidenta enxerga o Brasil como ele merece ser

Presidenta Dilma Rousseff.
O Brasil de 2030 estará entre os países mais desenvolvidos e mais democráticos do mundo. Será mais justo e menos desigual, como nunca antes em sua história.
Na última década, adotamos um modelo de desenvolvimento baseado no crescimento, na estabilidade e na inclusão social. Hoje somos a sexta economia mundial e estamos nos tornando um país de classe média, oferecendo oportunidades para todos os brasileiros. O Brasil de 2030 será a tradução de todo esse esforço que temos feito.
Não haverá pessoas vivendo em extrema pobreza no Brasil de 2030. Desde 2003 perseguimos radicalmente esse objetivo. Por meio do crescimento consistente da economia, da geração de empregos e de instrumentos efetivos de distribuição de renda, estamos chegando lá. Começamos com o Bolsa Família, no governo Lula, que abriu caminho para o Brasil sem Miséria. Elevamos 40 milhões de pessoas à classe média e continuamos, a cada dia, superando metas e desafios para garantir a inclusão dos que ainda vivem na extrema pobreza.
O Brasil de 2030 será um país que cuida de todas as suas crianças. Para isso, demos um grande passo com a criação do Brasil Carinhoso, que complementa a renda das famílias que tenham crianças até 6 anos de idade e uma renda menor que 70 reais per capita.
O Brasil de 2030 será também o país que garante acesso à creche, à educação em tempo integral, à formação técnica e superior a todos os brasileiros. Certamente, farão parte desse futuro os estudantes brasileiros que, por meio do programa Ciência sem Fronteiras, terão ampliado seus conhecimentos nas melhores universidades do mundo.
No Brasil de 2030, qualquer cidadão terá acesso a bons serviços e a um atendimento ágil na rede pública de saúde. Com mais recursos e investimentos numa gestão eficiente, estamos aprimorando e fortalecendo o SUS, um dos maiores sistemas públicos de atendimento universalizado do mundo.
Daqui a 18 anos, o Brasil será um país inovador e tecnologicamente desenvolvido, e também o país do pleno emprego e do empreendedorismo.
Manterá o ritmo de sua evolução nesta primeira década do século, quando foram criados mais de 19 milhões de empregos e formalizados mais de 2 milhões de microempreendedores.
Conseguimos antever também um Brasil mais moderno e competitivo na área de infraestrutura, na qual estamos investindo fortemente. O Plano de Investimento em Logística nas áreas de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos dará ao Brasil uma infraestrutura compatível com o seu tamanho e com as necessidades de sua população. Sem abrir mão de seu papel de planejamento e fiscalização, o Estado continuará, em parceria com a iniciativa privada, executando as medidas necessárias para sustentar o crescimento da economia, do emprego e da renda de todos os brasileiros.
O Brasil de 2030 estará colhendo os frutos da opção pela sustentabilidade. Crescer, incluir, proteger e preservar continuará sendo a base de nosso modelo de desenvolvimento. Ainda seremos um país com grandes reservas naturais, que explora racionalmente a sua biodiversidade e tem a matriz energética mais limpa e eficiente do mundo. Ao mesmo tempo, nas próximas décadas, o Brasil alimentará o mundo como maior produtor agropecuário do planeta.
Mantido o ritmo do nosso crescimento, a pujança da nossa democracia e a constante evolução social e econômica do nosso povo – e não vejo motivo para que essa trajetória venha a ser interrompida -, tenho certeza de que no Brasil de 2030 viverão os filhos da igualdade, da inclusão e da justiça social. Uma geração preparada para assumir as rédeas do seu país e viver os benefícios de uma era de prosperidade.
E assim que vejo o país do meu neto. Olho para o Gabriel com um misto natural de curiosidade e preocupação, como acontece com todos os avós. E toda vez que tento imaginá-lo com 20 anos, iniciando a sua vida adulta, começando a lutar para construir sua história pessoal, sou otimista. Eu o vejo, como a milhões de jovens de sua geração, vivendo bem em um Brasil feliz, generoso e justo com todos os seus cidadãos e cidadãs. Um Brasil orgulhoso de ser o que é: um grande país.